Aluisio da Silva Filho, apontado pela Polícia Civil como coordenador do grupo de segurança que atuava em Copacabana, prestou depoimento nesta quarta-feira (26) sobre a morte de Cláudio Rafael Landeiro. Ele não está preso e, segundo as investigações, possui 14 anotações criminais.
Os registros incluem acusações e ocorrências relacionadas a ameaça, lesão corporal, porte ilegal de arma e roubo de um turista em Copacabana. O depoimento foi colhido por agentes da 12ª DP (Copacabana) e será analisado junto com as demais informações reunidas no inquérito.
Cláudio Rafael morreu após ser brutalmente agredido no dia 12 de agosto. A Polícia Civil investiga a participação de seguranças e entregadores no espancamento e tenta esclarecer a dinâmica completa do crime.
Depoimento revela como grupo atuava
Em depoimento, Aluisio afirmou que exerce há mais de 25 anos a função de coordenador de um grupo de apoio conhecido como “seguranças de rua”. A equipe atua principalmente nas proximidades das ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, em Copacabana.
Segundo ele, o grupo não possui CNPJ e contava com quatro integrantes, incluindo o próprio Aluisio e dois homens que estão presos por suspeita de envolvimento na morte. Ele afirmou ainda que os integrantes não se identificavam como “seguranças”, mas como “apoiadores”.
Aluisio declarou à polícia que os integrantes não tinham autorização para abordar ou seguir pessoas consideradas suspeitas, impedir que alguém deixasse determinado local, fazer revistas pessoais ou reter objetos. A orientação, segundo ele, era chamar a Polícia Militar pelo telefone 190 diante de situações consideradas graves.
Aluisio relatou reclamações contra Davi
O coordenador também afirmou que não era permitido utilizar força física durante as abordagens. Durante o depoimento, disse ter recebido anteriormente reclamações sobre o comportamento agressivo de Davi Santos Machados, um dos seguranças presos.
Segundo Aluisio, Davi teria agredido anteriormente um homem em situação de rua. Ele também relatou que tomou conhecimento da morte de Cláudio Rafael apenas alguns dias depois do episódio.
Ainda de acordo com o depoimento, uma testemunha teria informado a Aluisio que Davi pediu para que os envolvidos não comentassem o caso. O segurança, segundo o coordenador, teria negado participação nas agressões.
Quatro suspeitos estão presos
Até o momento, quatro pessoas estão presas pela morte de Cláudio Rafael. São os seguranças Davi Santos Machados e Jorge Luiz Ricardo Dias e dois entregadores. Todos respondem pela investigação de homicídio triplamente qualificado.
A Polícia Civil também procura um quinto agressor, identificado nas imagens de câmeras de segurança. O homem aparece chutando a cabeça de Cláudio Rafael durante o espancamento.
Os investigadores analisam as imagens e outros elementos do inquérito para identificar o quinto envolvido e estabelecer a responsabilidade individual de cada suspeito na morte.
Comerciantes são investigados
Na terça-feira (25), cinco pessoas foram ouvidas pelos investigadores. Entre elas estavam proprietários de um bar, um restaurante e uma farmácia de Copacabana.
Os comerciantes não são apontados como participantes diretos da morte, mas entraram no radar da investigação por uma possível relação com a contratação irregular de pessoas que atuavam como segurança privada no bairro.
Segundo a Polícia Civil, os estabelecimentos teriam contratado de forma irregular os seguranças Davi Santos Machados e Jorge Luiz Ricardo Dias, que estão presos por suspeita de participação nas agressões.
A defesa de Aluisio da Silva Filho não havia se manifestado até a última atualização das informações. A investigação continua para esclarecer as circunstâncias da morte de Cláudio Rafael, identificar o quinto agressor e apurar eventual responsabilidade de outros envolvidos.
