A candidata Vera Lúcia diz que pretende começar a reestatização do Metrô e da CPTM já no primeiro dia de governo, por meio de um decreto. Mas a medida dependeria de mudanças legais e de decisões de outras instituições, além da Assembleia Legislativa. Hoje, o PL tem a maior bancada da Alesp, com 21 deputados, seguido pelo PT, com 18. A expectativa é de que o número de cadeiras dos dois partidos aumente depois das eleições.
Em entrevista à CBN, Vera afirmou que, se eleita, pretende mobilizar a população para pressionar o Legislativo a aprovar as medidas.
— A gente muda o Legislativo. Se você faz plebiscito, se você faz assembleia, se você determina, você pode mudar. Porque essas leis foram criadas por eles, trancado em quatro portas, com a população muitas vezes na frente, apanhando da polícia. Finalmente, a Assembleia Legislativa vai passar a cumprir o seu papel, que é o papel de atender a maioria da população, coisa que hoje não é feita.
O plano também prevê tarifa zero universal no transporte público. Questionada sobre como financiar a medida, Vera afirmou que parte dos recursos viria do Estado e o restante de empresários. A proposta é que o setor privado ajude a bancar o transporte dos trabalhadores, enquanto o poder público continuaria subsidiando o sistema.
Outra promessa é romper contratos de concessão e PPPs sem indenizar os grandes grupos econômicos. A candidata admitiu que ainda não fez a conta de quanto custaria esse processo.
O rompimento de contratos de concessão, porém, envolve regras jurídicas e pode levar a disputas na Justiça. Um dos exemplos citados pela própria candidata é o da Enel, cuja concessão é de responsabilidade federal.
No caso da distribuidora de energia, o processo de caducidade é conduzido pela Aneel. A agência abriu formalmente o processo em 7 de abril deste ano e, neste mês, rejeitou por unanimidade um recurso da concessionária, mantendo em andamento a análise que pode levar à recomendação da caducidade.
Mesmo diante desse exemplo, Vera defendeu que um governo estadual pode pressionar pela ruptura de contratos e afirmou que pretende mobilizar a população para isso.
Vera Lúcia tem 54 anos, é natural de Inajá, em Pernambuco, e começou a trabalhar ainda adolescente. Operária da indústria de calçados, é formada em Ciências Sociais e construiu sua trajetória política no movimento sindical. Foi expulsa do PT em 1992, quando integrava a Convergência Socialista, corrente que posteriormente deu origem ao PSTU.
Ela já disputou a Presidência da República duas vezes, em 2018 e 2022, e foi candidata à Prefeitura de São Paulo em 2020. Agora, concorre pela primeira vez ao governo paulista, acompanhada da candidata a vice Renata França, ativista do movimento pelo fim da escala 6 x 1.
Entre as propostas mais radicais do plano está a extinção da Polícia Militar e a criação de uma polícia única e desmilitarizada. A medida exigiria mudança na legislação federal, já que a Constituição prevê a existência das polícias militares. À CBN, Vera reconheceu que seria necessário alterar a Constituição, mas defendeu que a mobilização popular pode mudar as instituições.
— Nós podemos fazer isso? Podemos. Você muda o curso de um rio… Por que você não muda uma instituição repressiva como é a Polícia Militar? Podemos mudar. Nós podemos mudar tudo nessa sociedade se a classe trabalhadora quiser e estiver organizada. E é isso que nós vamos estimular no estado de São Paulo.
Na área econômica, a candidata também promete enfrentar a concentração de riqueza e atingir grupos ligados ao crime organizado na Faria Lima. Segundo Vera, é preciso chegar aos responsáveis pelos lucros dos negócios ilícitos, em vez de concentrar a atuação policial na repressão nas periferias.
Na última pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 29 de julho, Vera Lúcia aparece em terceiro lugar, com 3% das intenções de voto, atrás do atual governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com 41%, e de Fernando Haddad, do PT, com 26. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
