A seleção brasileira feminina de ginástica ficou com a medalha de prata por equipes no Pan-Americano que está sendo disputado na Arena Carioca, no Parque Olímpico, no Rio. No evento do ano passado, o Brasil havia conquistado o bronze por equipes, única medalha daquela competição no feminino (Diogo Soares ganhou duas medalhas individuais). E mais: o país terá suas cinco atletas do adulto em finais individuais, incluindo Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica do país, que voltou às competições após cerca de um ano e meio de descanso. Ela estará na final do salto. Ela não competia desde os Jogos Olímpicos de Paris-2024.
Com o resultado, o Brasil garantiu vaga para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 e para o Campeonato Mundial que será em Roterdã, na Holanda, em outubro. Além do Brasil, vão ao Mundial: Estados Unidos, Canadá, Argentina e México. Este Mundial será classificatório para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Na tarde desta quarta-feira, Rebeca competiu apenas no salto. Executou dois: o Yurchenko com dupla pirueta e o Lopez e avançou à final do aparelho com a melhor nota, 14.549, na média.
— Deu tudo certo, graças a Deus. Estou muito feliz e orgulhosa dos meus resultados e do que eu apresentei. Sou uma atleta que não treina muito todos os dias quando o aparelho tem muito impacto, a chegada mexe muito com a parte inferior do meu corpo — disse Rebeca, logo após a competição. — Estava muito confiante e pedi a todos que eu conheço que orassem por mim.
Ela contou que há pouco tempo, há cerca de duas semanas, decidiu em conjunto com a comissão técnica que faria dois saltos nesta competição. Rebeca disse que Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de ginástica artística, mandou mensagem no celular quando ele estava em competição no exterior e perguntou se ela toparia fazer dois saltos.
— Achei que ele estava pensando para uma próxima competição e topei. Quando ele voltou eu falei: “Chico, para o Pan?”. Decidimos que seria a dupla pirueta porque é um salto que faço há mais tempo. Mas tive um pouco de dificuldade para voltar a saltar dupla porque eu estava muito tempo parada e muda o apoio, o jeito de fazer. Mas, se hoje mesmo eu tivesse tido alguma dificuldade, eu não saltaria. Então não foi um problema, eu estava bem livre e bem tranquila.
Quando a atleta apareceu na arena, sem o casaco, para aquecer junto às brasileiras, a torcida comemorou e gritou seu nome. Ela iniciou o aquecimento na rotação anterior à do salto. Foi para o solo apenas para se preparar para o aparelho seguinte. Uma estratégia para se manter quente para sua apresentação.
Rebeca voltou aos treinos para valer em janeiro. Segundo Álvaro Margutti, fisioterapeuta das seleções de ginástica artística, a atleta teve de “recomeçar do zero”, uma vez que havia perdido força, mobilidade, agilidade e estabilidade articular. Ele explicou que o maior desafio foi realizar essa volta ao alto rendimento sem sofrimento.
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Assim, a atleta teve de se dedicar à fisioterapia por cerca de três meses antes de mesclar elementos técnicos em suas atividades. Sua preparação se iniciou apenas para que voltasse ao salto.
Thaís Fidélis e Sophia Weisberg, que se apresentaram nos quatro aparelhos, farão a final do individual geral. Thaís, que voltou à ginástica no ano passado após pausa de dois anos para cuidar da saúde mental, se classificou em quarto lugar, após apresentação nos quatro aparelhos (52.965). Avança à decisão em terceiro porque as três primeiras colocadas são dos Estados Unidos e há limite de duas por país. E Sophia se classificou em sétimo (51.399).
Thaís também disputará a final da trave, tendo feito exibição de destaque, com boa execução (13.833), terminando na liderança do aparelho, e no quinto lugar no solo (12.833).
E Sophia disputará ainda a final das assimétricas (12.933), também beneficiada pelo fato de que as americanas não podem levar três atletas à final. Ela terminou em nono, uma posição atrás de Gabriela Bouças (13.033) e ganhou a última vaga.
Por fim, Julia, que se apresentou nas assimétricas, trave e solo, entrou na decisão da trave, classificada em quatro lugar (13.566).
As finais do individual geral serão disputadas nesta sexta-feira, a partir das 9 horas. E as decisões por aparelhos serão no domingo, a partir das 9h30.
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Sobre a medalha de prata por equipes, Francisco Porath, o Chico, disse que a nota não é tão alta, se levar em consideração adversários além do continente. O Brasil obteve 157.796 pontos, atrás dos Estados Unidos, com 161.628. O Canadá foi bronze com 156.997
— Não é uma nota expressiva para o Campeonato Mundial, mas temos elementos e dificuldades para colocar, mantendo sempre essa consistência. Tivemos algumas falhas, mas todo mundo, com a sua contribuição, manteve a gente disputando. Está ok, este é o momento de competir, de experimentar esta formação — disse o treinador. — Então, a seleção está se moldando também. A gente não pode acreditar que vai se repetir sempre os mesmos resultados com as mesmas meninas, porque o tempo vai passando. A Rebeca hoje não faz mais solo, ela tá se preparando para outros aparelhos, e a responsabilidade vai passando para essas meninas. O intuito é dar experiência para essas meninas, consistência, porque precisamos que elas subam no aparelho e dê certo.

