Quaquá chama Flávio Bolsonaro de criminoso e pede prisão após candidato não reconhecer vitória de Lula

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Maricá – Prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT reagiu à declaração do senador de que pretende pedir a anulação das eleições; petista também defendeu uma aliança nacional para impedir a atuação política de grupos que, segundo ele, atentam contra a democracia.

O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá, publicou um vídeo em seu perfil no Instagram na noite deste domingo (25 de outubro), no qual fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A manifestação ocorreu após Flávio anunciar que não reconhece o resultado da eleição, que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que pretende recorrer à Justiça para solicitar a anulação da votação.

No pronunciamento, Quaquá classificou a postura do senador como um ataque à democracia, utilizou expressões como “criminoso” e “miliciano” para se referir ao adversário político e chegou a defender sua prisão e seu afastamento da vida pública.

“Olha, acabo de ver a declaração do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. É uma declaração gravíssima de um candidato derrotado que não reconhece as eleições. A democracia é o limite da própria democracia”, afirmou o prefeito.

Na sequência, Quaquá declarou que o direito à manifestação política não deveria servir, em sua avaliação, para justificar ações contrárias ao regime democrático.

“Todos têm direito à opinião, mas aqueles que atentam contra a democracia são criminosos”, acrescentou.

O prefeito também fez referência à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em setembro de 2025, Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão. O ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar humanitária, concedida em março de 2026.

Quaquá defende prisão de Flávio Bolsonaro e afastamento da vida pública

Um dos trechos mais contundentes do vídeo foi o pedido de Quaquá para que parlamentares e integrantes das instituições brasileiras adotem medidas contra políticos que, em sua avaliação, atuam para desacreditar o processo eleitoral.

O prefeito dirigiu sua mensagem diretamente aos deputados federais e senadores eleitos em 2026.

“Nós, pelo bem da democracia e pelo bem da soberania nacional, nós temos que banir da vida pública aqueles que são contra a democracia”, declarou.

Quaquá afirmou ainda que o país precisa impor limites a movimentos políticos que, segundo ele, representam ameaças ao funcionamento das instituições.

“Aqueles que são contra a democracia, que atentam contra o direito do voto do povo e que querem dar golpe de Estado, têm que ser presos e banidos da democracia”, disse.

Durante o pronunciamento, o prefeito fez acusações especialmente graves contra Flávio Bolsonaro e integrantes de sua família, chamando-os de “bandidos” e “milicianos”.

As declarações representam acusações políticas do prefeito. Elas não equivalem à comprovação judicial de envolvimento de Flávio Bolsonaro com organizações criminosas ou de que sua contestação eleitoral constitua, por si só, um crime.

Na parte final do vídeo, Quaquá defendeu uma mobilização política e institucional liderada pelo presidente reeleito.

“Presidente Lula, nós temos que fazer uma grande aliança com todos os democratas desse país, com os deputados e deputadas, com os senadores e senadoras, com a Suprema Corte e com todos aqueles que lutam pela democracia no Brasil”, afirmou.

O prefeito encerrou a manifestação com um pedido direto de responsabilização criminal do candidato derrotado.

“Prisão pra Flávio Bolsonaro é o mínimo que nós temos que fazer.”

Flávio Bolsonaro não reconhece resultado e anuncia pedido de anulação

A reação de Quaquá foi motivada pelo pronunciamento realizado por Flávio Bolsonaro após a confirmação de sua derrota na disputa presidencial.

Na noite deste domingo, o senador declarou que considera impossível reconhecer o resultado das eleições diante das circunstâncias em que ocorreu a votação.

O principal questionamento do candidato do PL está relacionado à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em locais onde a votação ainda não havia sido encerrada às 17h.

A medida foi tomada após relatos de dificuldades no transporte público e problemas de deslocamento de eleitores em diferentes regiões do país.

Em entrevista coletiva, Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão teria comprometido a igualdade de condições do processo eleitoral.

“É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram. Vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou.

O senador também questionou a atuação do ministro Cristiano Zanin, que foi advogado de Lula antes de integrar o Supremo Tribunal Federal.

Segundo Flávio, a determinação judicial teria alterado as condições da eleição durante sua realização, uma vez que parte das seções eleitorais já havia encerrado a votação quando ocorreu a prorrogação.

O candidato alegou ainda supostos problemas relacionados à fiscalização da apuração por representantes do PL.

Até o momento dessas declarações, não haviam sido apresentadas evidências públicas suficientes para comprovar que as situações apontadas teriam alterado o resultado da eleição presidencial.

A intenção de recorrer à Justiça foi anunciada pelo senador, mas a apresentação de eventual ação judicial e seus fundamentos deverão ser acompanhados junto aos órgãos competentes.

É importante destacar que o direito de questionar decisões eleitorais pela via judicial faz parte dos mecanismos previstos no Estado Democrático de Direito. O pedido de revisão ou anulação de uma eleição não constitui, isoladamente, prova de prática criminosa.

Qualquer responsabilização penal ou imposição de restrições a direitos políticos depende dos requisitos previstos na legislação e da atuação das autoridades competentes, com respeito ao devido processo legal.

Por que a votação foi prorrogada até as 19h?

A controvérsia teve início ainda na tarde deste domingo, quando o ministro Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação após receber relatos sobre dificuldades de eleitores para chegar às seções eleitorais.

O caso envolveu problemas no transporte coletivo e situações agravadas pelas condições meteorológicas em diferentes localidades.

A decisão inicial provocou dúvidas sobre o alcance da prorrogação, especialmente porque diversas seções eleitorais já haviam encerrado suas atividades.

O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu posteriormente que a votação continuaria apenas nos locais onde as urnas ainda estavam abertas às 17h.

As urnas que já haviam sido encerradas não seriam reabertas.

A totalização e a divulgação dos votos foram interrompidas temporariamente e retomadas após as 19h, conforme comunicado oficial da Justiça Eleitoral.

Embora a decisão tenha se tornado o principal argumento apresentado por Flávio Bolsonaro para contestar o resultado, o processo de totalização confirmou a vitória matemática de Lula.

O episódio também deverá ser analisado à luz dos procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral e das eventuais medidas judiciais apresentadas pelas campanhas.

Lula vence em virada histórica e conquista quarto mandato

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, aos 80 anos, para um quarto mandato como presidente da República.

Com 100% das seções totalizadas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.

A diferença foi de 4.430.191 votos a favor do presidente reeleito.

O resultado representa uma virada histórica na política brasileira.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia sido o candidato mais votado do país, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, nenhum candidato que havia terminado o primeiro turno na segunda colocação conseguira superar o adversário na votação decisiva.

Lula rompeu esse histórico e conquistou sua quarta vitória presidencial, depois dos triunfos de 2002, 2006 e 2022.

O novo mandato terá início em 5 de janeiro de 2027, conforme a alteração na data de posse presidencial estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021.

Apesar da derrota nacional, Flávio Bolsonaro recebeu quase 60 milhões de votos, resultado que demonstra a dimensão eleitoral do campo político identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em Maricá, Flávio Bolsonaro venceu Lula por 2.231 votos

A manifestação de Washington Quaquá também ocorre em um contexto político particular de Maricá, município que administra e onde o resultado presidencial foi diferente do registrado nacionalmente.

Apesar de Lula ter sido reeleito presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro venceu o segundo turno em Maricá.

Com 100% das 521 seções eleitorais totalizadas, o candidato do PL recebeu 72.786 votos, correspondentes a 50,78% dos votos válidos.

Lula obteve 70.555 votos, equivalentes a 49,22%.

A diferença foi de apenas 2.231 votos.

O resultado representa a terceira eleição presidencial consecutiva em que um candidato ligado ao bolsonarismo vence na cidade, administrada ininterruptamente pelo Partido dos Trabalhadores desde janeiro de 2009.

Jair Bolsonaro venceu as disputas presidenciais em Maricá em 2018 e 2022. Agora, Flávio Bolsonaro manteve a sequência de vitórias do grupo político.

Entretanto, a vantagem bolsonarista diminuiu consideravelmente.

Em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad com 62,30% dos votos válidos. Em 2022, superou Lula com 51,70%. No segundo turno de 2026, Flávio terminou à frente com 50,78%.

A diferença entre os candidatos caiu de 24,60 pontos percentuais em 2018 para 1,56 ponto percentual em 2026.

O resultado evidencia uma disputa presidencial cada vez mais equilibrada no município, mesmo com a continuidade do PT no comando da Prefeitura.

Quaquá, que também ocupa a vice-presidência nacional do partido, atuou diretamente nas articulações políticas em favor da campanha de reeleição de Lula no estado do Rio de Janeiro.

Prefeito também cita Marco Rubio e fala em soberania nacional

Outro trecho do pronunciamento de Quaquá envolveu os Estados Unidos.

O prefeito acusou Flávio Bolsonaro de agir em articulação com Marco Rubio, integrante do governo do presidente norte-americano Donald Trump, e afirmou que Rubio teria feito uma declaração semelhante sobre o resultado eleitoral brasileiro.

Na gravação, Quaquá se referiu a Rubio como vice-presidente dos Estados Unidos. O cargo, entretanto, é ocupado por JD Vance. Marco Rubio exerce a função de secretário de Estado norte-americano.

A suposta declaração de Rubio questionando o resultado do segundo turno brasileiro, mencionada pelo prefeito, não havia sido confirmada de maneira independente até o fechamento desta reportagem.

A relação entre integrantes da família Bolsonaro e representantes do governo Trump esteve presente no debate político de 2026.

Durante a campanha, Flávio Bolsonaro manteve encontros com autoridades norte-americanas, incluindo o próprio Marco Rubio e o vice-presidente JD Vance.

O tema ganhou repercussão diante de discussões sobre possíveis interferências estrangeiras na política brasileira e sobre o posicionamento diplomático dos Estados Unidos em relação às eleições.

Entretanto, a existência desses encontros não comprova a acusação de articulação para contestar o resultado eleitoral feita por Quaquá.

Reação amplia tensão política após resultado das eleições

A declaração do prefeito de Maricá ocorre poucas horas depois da confirmação da vitória de Lula e em meio às primeiras manifestações de lideranças políticas sobre o resultado.

Enquanto Flávio Bolsonaro anunciou que pretende buscar a anulação da eleição, autoridades do Congresso Nacional reconheceram a vitória do petista.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou respeito à decisão dos eleitores e defendeu a pacificação do país após a disputa eleitoral.

Ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, Alcolumbre destacou a importância de respeitar o resultado das urnas e preservar o funcionamento das instituições democráticas.

A reação de Washington Quaquá seguiu por um caminho mais confrontacional.

Além de criticar o posicionamento do candidato derrotado, o prefeito defendeu medidas para impedir a participação de políticos que, segundo sua avaliação, estejam envolvidos em ações contra a democracia.

As declarações evidenciam a tensão política que permanece mesmo após a definição do resultado eleitoral.

A eleição de 2026 terminou com a vitória de Lula, mas também com uma votação expressiva de Flávio Bolsonaro, indicando a permanência de dois grandes campos políticos no debate nacional.

A eventual contestação judicial do resultado seguirá os procedimentos previstos na legislação brasileira, cabendo às instituições competentes avaliar os argumentos e as provas que venham a ser apresentados.

Já as declarações de Quaquá representam o posicionamento político do prefeito de Maricá e dirigente nacional do PT diante da recusa do adversário em reconhecer a reeleição de Lula.





Com informações da fonte
https://maricainfo.com/noticias-de-marica/quaqua-chama-flavio-bolsonaro-de-criminoso-e-pede-prisao-apos-candidato-nao-reconhecer-vitoria-de-lula/

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