A Polícia Federal cumpriu, nesta segunda-feira (19/10), um mandado de busca e apreensão em Brasília contra Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é suspeito de repassar informações sobre processos em andamento no tribunal ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro.
A ação faz parte da Operação Linceu, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo inquérito. A investigação apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Investigação aponta troca de informações
Segundo relatório da Polícia Federal, Pradera teria compartilhado com Tomaz informações internas do STJ. Em mensagens analisadas pelos investigadores, o ex-servidor teria informado ao advogado sobre a designação de pessoas para tratar de determinado assunto no tribunal e prometido mantê-lo atualizado.
A apuração também identificou o envio de uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador. Em outra conversa, ao ser questionado sobre o número de um processo, Pradera teria indicado um recurso e comentado sobre a perda de efeito de uma decisão provisória após o julgamento.
Pradera trabalhou na área de tecnologia do STJ, onde ocupou o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação. Ele também atuou como assessor-chefe na área de inteligência artificial.
PF apura movimentações financeiras
A investigação sobre Willer Tomaz também analisa movimentações financeiras e sua atuação em processos de interesse econômico. De acordo com os investigadores, foram identificadas cerca de 130 milhões de reais em transações no Magnum Bank entre março e maio de 2025.
O relatório aponta movimentações de grandes valores, divisão de quantias, transferências entre empresas e operações envolvendo plataformas de apostas.
No campo jurídico, a PF investiga suspeitas de que o advogado tenha recebido antecipadamente informações sobre votos, decisões e pareceres, além de possível influência na desistência de recursos e no encaminhamento de orientações para a elaboração de manifestações do Ministério Público Federal.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam comprovação de crimes.
Advogado nega irregularidades
Willer Tomaz nega ter obtido acesso irregular a decisões ou pareceres e afirma que não interferiu em manifestações de órgãos públicos. Em nota, declarou que o conhecimento antecipado de julgamentos pode ocorrer por meio de funcionalidades dos sistemas do STJ.
O advogado também criticou a divulgação de informações sigilosas e defendeu que sejam identificados os responsáveis por eventuais vazamentos. Segundo ele, transformar práticas comuns da atuação jurídica em suspeitas criminais representa uma tentativa de criminalizar a advocacia.
A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
