A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta terça-feira (13), uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e armas ligado ao Comando Vermelho (CV), que, segundo as investigações, contava com a participação de policiais militares. Os agentes são suspeitos de repassar informações privilegiadas sobre operações policiais e de participar de negociações clandestinas de armas e munições destinadas à facção criminosa.
A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com a participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar. Os policiais cumprem mandados de prisão expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital. O número de ordens judiciais não foi divulgado.
Até a última atualização, dois homens haviam sido presos. Entre eles está Leonardo Aguiar, conhecido como “Da Nike”, apontado como integrante do braço armado do Comando Vermelho.
Investigação começou com apreensão de cocaína
As apurações tiveram início em outubro de 2023, quando policiais civis prenderam em flagrante o então policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko. Os dois transportavam mais de 100 quilos de cocaína pela Avenida Brasil.
A partir da apreensão, os investigadores identificaram indícios de que a dupla integrava uma organização criminosa responsável pela compra, pelo transporte e pela distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos para o Comando Vermelho.
De acordo com a DRE, o grupo tinha uma divisão de tarefas e atuava de forma coordenada para abastecer comunidades dominadas pela facção. Kiko é apontado como um dos responsáveis pela logística do tráfico, mantendo contato direto com lideranças criminosas para organizar o transporte e a entrega de entorpecentes.
Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e análises de dados telemáticos também identificaram conversas entre Kiko e Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Segundo as investigações, ele participava da articulação para a compra e a distribuição de drogas e armas, além de coordenar integrantes envolvidos no abastecimento da organização.
Policiais são suspeitos de favorecer a facção
Outra frente da investigação identificou suspeitas de participação de policiais militares no esquema. Segundo a Polícia Civil, os agentes teriam utilizado informações obtidas em razão das funções que exerciam para beneficiar integrantes do Comando Vermelho.
Entre os investigados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios.
As apurações também identificaram Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, apontado como uma das lideranças do tráfico em comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Segundo os investigadores, Hot Wheels recebia informações privilegiadas sobre operações policiais repassadas pelo PM Yuri Desiderati. O militar é suspeito de utilizar sua posição na corporação para favorecer as atividades criminosas.
A DRE afirma ainda que integrantes do grupo atuavam na segurança de lideranças do tráfico e na vigilância de territórios controlados pela facção, com o uso de armas de fogo para ajudar a manter o domínio criminoso nessas regiões.
PM que deu origem à investigação foi assassinado
Yuri Luiz Desiderati Ribeiro foi assassinado em 12 de julho deste ano, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Ele foi atingido por vários tiros quando chegava ao condomínio onde morava.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Uma das linhas de investigação considera a suspeita de que o policial tenha sido executado pelo Comando Vermelho. A motivação do crime, no entanto, depende da apuração policial.
O militar havia sido preso em flagrante em 2023, com mais de 100 quilos de cocaína, no episódio que deu origem à investigação sobre o esquema de tráfico de drogas e armas.
Mesmo após a morte do policial, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes deu continuidade às diligências e identificou outros suspeitos de integrar a rede de distribuição de materiais ilícitos.
Segundo a Polícia Civil, a operação tem como objetivo atingir diferentes etapas da estrutura criminosa, desde o transporte e a comercialização de drogas e armamentos até a rede de apoio responsável por fornecer informações e facilitar o abastecimento do Comando Vermelho, incluindo a possível participação de agentes públicos.
