Maricá – Quem passa hoje pelo Boqueirão e atravessa a ponte talvez não pare para imaginar como era chegar ao outro lado antes dessa ligação existir.
Muito antes da estrutura que conhecemos atualmente, a travessia do Boqueirão já fazia parte da história e das tradições de Maricá. Segundo a tradição local, indígenas tupinambás utilizavam aquele caminho e tinham uma maneira bastante particular de identificar o momento de atravessar.
Eles esperavam o canto de um pássaro: o surucuá-de-peito-vermelho. Somente depois de ouvi-lo é que, segundo essa tradição, realizavam a travessia.
O pássaro e a bandeira de Maricá
O surucuá-de-peito-vermelho também aparece em outra tradição relacionada à história de Maricá.
O pássaro é associado à explicação para a presença da cor vermelha na bandeira do município, numa referência à coloração de seu peito.
É importante tratar esse relato como parte da tradição histórica local, transmitida e registrada ao longo do tempo. Histórias como essa ajudam a compreender não apenas os acontecimentos do passado, mas também a maneira como diferentes gerações construíram e preservaram a memória da cidade.
E a história do Boqueirão não termina aí.
Surge um personagem chamado Chaguinha
Muitos anos depois dos relatos relacionados aos tupinambás, outro personagem passaria a fazer parte da memória daquela travessia.
Segundo a historiadora Maria Penha de Andrade Silva, seu nome era Antônio Ferreira, embora praticamente todo mundo o conhecesse por outro nome: Chaguinha. Chaguinha conhecia muito bem a travessia do Boqueirão e sua relação com aquele lugar faria com que seu nome permanecesse ligado à história de Maricá.
Mas quem foi Antônio Ferreira?
Por que ficou conhecido como Chaguinha? E o que ele fazia no Boqueirão para ter seu nome lembrado tantas décadas depois?
Essa é uma história que merece ser contada com calma. E será justamente o tema do nosso próximo episódio.
A história de uma cidade não está somente nos grandes prédios, documentos oficiais ou nomes de autoridades. Ela também sobrevive nas paisagens, nas tradições transmitidas entre gerações e nas histórias de pessoas comuns que fizeram parte do cotidiano de lugares pelos quais hoje passamos sem imaginar tudo o que aconteceu ali.
O Boqueirão é um desses lugares. E ainda tem muita história para contar.
