Flamengo rebate Lula e diz que proibir as bets de financiar clubes prejudica o torcedor e fortalece o jogo ilegal

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O Flamengo decidiu entrar no debate sobre a possível proibição das bets no Brasil e fez um alerta direto nesta sexta-feira (25): acabar com as empresas legalizadas não significa acabar com as apostas.

Em nota, o clube afirmou que uma proibição total pode simplesmente empurrar o mercado para a clandestinidade e, ao mesmo tempo, atingir uma importante fonte de receitas do esporte brasileiro.

“O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar”, afirmou o Flamengo.

O clube também criticou uma eventual decisão que, na sua avaliação, não eliminaria o mercado ilegal, mas poderia colocar em risco investimentos, empregos e contratos firmados dentro das regras atuais.

O governo quer apertar o cerco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que pretende editar uma Medida Provisória contra as bets. O formato ainda não foi divulgado e pode ir desde uma proibição total até medidas parciais, como o fim dos cassinos online e da publicidade de apostas.

Uma MP passa a ter força de lei imediatamente após sua publicação. Se o Congresso não aprovar o texto dentro do prazo constitucional, a medida perde a validade.

É justamente o risco de uma migração em massa para o mercado clandestino que está no centro da reação do Flamengo e das empresas do setor.

Segundo dados apresentados pelas bets, mais de 66 mil domínios ilegais já foram bloqueados no país. Mesmo assim, milhares continuam ativos. O setor estima que o mercado clandestino já represente 41% do volume apostado.

A preocupação é que uma proibição total faça esse percentual disparar.

E o futebol entra no meio da briga

O impacto não ficaria restrito aos apostadores. As casas de apostas se tornaram grandes patrocinadoras do futebol brasileiro.

Flamengo, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro, Fluminense e São Paulo estão entre os clubes que mantêm ou mantiveram contratos com empresas do setor. No caso do Flamengo, a Betano é patrocinadora do clube e também do Campeonato Brasileiro.

Para os clubes, o fim abrupto desses contratos significaria perder receitas usadas para bancar estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais e projetos.

O Flamengo resumiu sua posição em uma frase que promete alimentar ainda mais a discussão: proibir as empresas legais pode não acabar com o jogo — pode apenas tirar o mercado das mãos de quem é fiscalizado e jogá-lo para a clandestinidade.

Veja nota completa do Flamengo

O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.

Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório. Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam.

Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la. Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas.

Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro. Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.

O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.

Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.

Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país. E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão. Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas.

O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço. Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal.

Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas. Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.

O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar. E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade. O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população.

Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas. O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/brasil/25/09/2026/flamengo-rebate-lula-e-diz-que-proibir-as-bets-de-financiar-clubes-prejudica-o-torcedor-e-fortalece-o-jogo-ilegal

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