Luciana PolatiImagem: Redes Sociais
Segundo a narrativa apresentada à autoridade policial pelo comunicante Márcio Ricardo de Oliveira Silva, duas mulheres, Rosimere da Conceição Christi e Julie Márcia Anchieta Camilo, realizavam panfletagem e propaganda eleitoral em favor da candidata a deputada estadual Penha Bernardes (União) quando foram abordadas por um homem no local. O indivíduo teria determinado de forma incisiva que as ativistas deixassem a área imediatamente, fazendo menção explícita ao material de campanha de Luciana Polati (Agir), que disputa o mesmo cargo legislativo pela região.
Estrutura coordenada e conexões locais
Após a abordagem inicial nas margens da rodovia, os cabos eleitorais buscaram um novo ponto no município para continuar a distribuição do material de campanha. No entanto, a situação evoluiu para uma série de contatos telefônicos intimidatórios. O documento policial detalha que uma terceira mulher, identificada como Cristiane Xavier Oliveira, foi procurada para fornecer o contato do responsável pela equipe.
Na sequência, o comunicante do fato relatou ter recebido mensagens de texto diretas vindas do número telefônico atribuído ao autor da abordagem. As mensagens continham frases com tom ostensivo de ameaça, afirmando que “política daí tem que ralar” e que “se não perder pra gente tem que ralar”. A dinâmica apresentada à polícia aponta para uma atuação articulada de pessoas, abrangendo desde o constrangimento presencial até a localização e envio de mensagens de intimidação.
O episódio ganha maior dimensão pública ao observar o ambiente político e as conexões do grupo. A candidata adota uma postura mais ostensiva nas ruas em meio às alianças locais. Luciana Polati é casada com o empresário Paulo Roberto Polati de Azevedo. O empresário é investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil junto ao presidente da Câmara Municipal de Araruama, o vereador Magno Dheco (MDB), em um inquérito que apura a tentativa de homicídio contra o empresário Max dos Medicamentos.
Atuação da Justiça Eleitoral
O registro policial ressalta que o documento não atribui autoria, ordem direta ou conhecimento prévio do episódio à candidata Luciana Polati. Contudo, pela gravidade do relato, a ocorrência ultrapassa um conflito privado e requer a análise da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral (MPE).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que o uso de violência, grave ameaça ou constrangimento para impedir a livre propaganda e a captação de votos pode caracterizar abuso de poder econômico ou de autoridade. A legislação busca coibir o controle territorial e garantir o livre exercício democrático de candidatos e militantes nas ruas. As autoridades policiais seguem apurando o caso no município.
A equipe de reportagem e redação do jornal O Dia buscou contato com as assessorias de imprensa e defesas de todas as partes citadas por meio de ligações telefônicas, mensagens e e-mail. No entanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno de nenhum dos mencionados. O espaço segue aberto para manifestações e posicionamentos oficiais.
