Baleado no segundo assalto à mão armada que sofreu este ano, o cirurgião vascular Harold Benjamin Aranibar pensa em sair do Rio, de acordo com sua esposa, a dermatologista Natália Aranibar. Dirigindo um carro blindado, o cirurgião vascular Harold Benjamin Aranibar voltava de um plantão no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na última quarta-feira, quando foi abordado por assaltantes em motos por volta das 18h nas proximidades do Maracanã, na Zona Norte. Na ação, foi atingido por uma bala que atravessou seu braço e estraçalhou o úmero. Ele já submetido a uma cirurgia de reconstrução, e uma segunda está prevista. Nesta segunda-feira, seu carro passará por ,perícia.
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Segundo a esposa, o médico dirigia o seu Jeep Compass blindado em direção à residência do casal, quando uma moto bateu no retrovisor do veículo. O motociclista parou logo depois e fez gestos de desculpas. Harold sinalizou que estava tudo bem e abaixou o vidro para arrumar a posição do espelho.
Foi então que uma segunda moto surgiu, por trás de seu carro, com dois homens que abordaram o médico e exigiram o telefone celular, a carteira e a aliança. Nervoso, conta Natália, Aranibar deixou o aparelho cair no chão do carro e se abaixou para pegá-lo, mas não o encontrou de primeira. Segundo ela, a demora irritou um dos assaltantes, que atirou.
O disparo atingiu o braço esquerdo do médico antes de terminar encravada no banco do motorista. Os assaltantes fugiram sem levar o celular ou o carro. Mesmo ferido, Harold arrancou com o veículo, ligou para a esposa e, na sequência, para o irmão, que é médico ortopedista.
— Fui mais uma vítima de assalto nessa selva aqui do Rio de Janeiro. Eu, com carro blindado, que já não é normal termos carro blindado, fui vítima de um golpe. Encostaram no meu retrovisor, e eu fui arrumar quando veio um cara por trás para me assaltar e terminou com um tiro no meu braço — contou o médico em suas redes sociais, nas quais também compartilhou uma foto publicada por sua esposa mostrando a marca da bala no banco do motorista.
— Na hora em que ele me ligou, eu não estava com o meu telefone. Mas ele conseguiu avisar para nossa babá, que depois conseguiu entrar em contato comigo — conta Natália.
O casal tem duas filhas, uma de 5 e outra de 7 anos. Depois de falar com o irmão, Aranibar seguiu dirigindo até o hospital na Zona Sul onde recebeu atendimento e segue internado.
A primeira cirurgia, realizada neste fim de semana, teve como objetivo colocar pinos externos para fazer a fixação do osso estraçalhado. Esse é o primeiro de dois procedimentos necessários para a reconstrução. A expectativa é que o segundo procedimento, considerado definitivo, seja realizado na próxima sexta-feira ou no sábado, com a colocação de uma placa e parafusos.
Um registro de ocorrência foi feito na 12ª DP (Copacabana), na Zona Sul, onde vive a família. Em nota, a Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento com agentes em busca de imagens de circuitos de segurança que ajudem na resolução do caso e que agentes devem realizar perícia no veículo da vítima na tarde desta segunda-feira.
Para a família, o episódio chama a atenção também por ter ocorrido em um trajeto que fazia parte da rotina de Aranibar. Segundo Natália, o caminho entre a casa e o trabalho era percorrido frequentemente pelo marido.
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Nas redes sociais, o médico contou que esta foi a segunda vez que sofreu um assalto a mão armada este ano. Há quatro meses, depois ter sido vítima de outra ação criminosa no trânsito, decidiu trocar o carro por um modelo blindado, julgando que estaria a salvo deste tipo de abordagem daí em diante.
— Vocês sabem que sou muito reservado em relação a minha vida pessoal, mas dessa vez eu não posso ficar quieto. Há quatro meses atrás, tive a mesma coisa, fui assaltado a mão armada com outro carro que não era blindado. Motivo que levou a comprar um blindado, mas o raio caiu duas vezes no mesmo lugar e estou nessa situação — desabafou.
De acordo com Aranibar, a mobilidade do braço e de sua mão esquerda segue preservada, o que é essencial também para que exerça sua profissão.
— A bala, graças a Deus, não atingiu nenhum nervo. Então dos mais trágicos cenários, esse aqui foi o menor e eu vou me recuperar e ficar mais forte. Mas é aquilo, a gente espera uma boa segurança pública e quando isso aconteceu quem veio ajudar? Ninguém. Estávamos eu e Deus sozinhos, tive que dirigir com um braço pendurado até conseguir chegar no porto seguro, que é o hospital em que estou internado — contou.
Agora, Natália diz que o casal chegou ao limite em relação à insegurança na cidade e pretende se organizar para deixar o Rio.
— Já estávamos ficando incomodados com a sensação de insegurança faz algum tempo. Mas depois de passar por essa situação, nós chegamos no nosso limite. Adoramos o Rio, mas infelizmente, não conseguimos mais nos sentir à vontade em viver aqui. Decidimos que vamos nos organizar para sair do estado — diz Natália.
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