O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18) em delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira (17), Leite é citado no pedido que embasou a operação como responsável pela operação de algumas empresas de ônibus ligadas ao PCC.
O ex-vereador não foi encontrado em sua casa na região de Interlagos, na zona sul da cidade de São Paulo. A princípio, ele foi considerado foragido pela Polícia. Nas primeiras horas da manhã, no entanto, ele se comunicou com agentes públicos, informou que estaria fora da cidade, em viagem, e que se apresentaria nas próximas 24 horas. Nesta sexta, ele se apresentou acompanhado de um delegado.
Leite foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara quatro vezes. Deixou o Legislativo no ano passado, mas continua presidente do União Brasil em São Paulo e do diretório estadual da Federação União Progressista.
A apuração aponta suspeitas de interferência em licitações, contratos públicos e negociações de empresas do setor em São Paulo e outras cidades. Entre as empresas citadas na investigação estão Transwolff, A2 Transportes, Translider, Transbellaflor, Alfa Rodobus e outras. A Alfa assumiu, em fevereiro, as linhas que pertenciam à UPBus, cuja concessão foi rescindida pela prefeitura após a Operação Fim da Linha, em 2024, apontar seu uso para lavagem de dinheiro do PCC.
As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.
A referência a Milton Leite aparece na relação dos 13 investigados. O despacho afirma que o ex-vereador é citado nominalmente diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pelo PCC. Em seguida, registra que policiais militares, em procedimento na Justiça Militar, disseram que ele seria o dono de fato da Transwolff.
O documento não detalha quais seriam todas as empresas atribuídas a Leite nem apresenta, nesse trecho, elementos sobre sua eventual participação formal na sociedade da Transwolff.
Polícia investiga possível vazamento
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) vão apurar as suspeitas de um possível vazamento de informações sobre a Operação Vectura Corrupta, que investiga a ligação de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) com o sistema de transportes da cidade de São Paulo.
A apuração foi aberta depois que investigadores estiveram em pelo menos dois endereços ligados ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), e encontraram apenas empregados nesses locais. Ele é suspeito de envolvimento no esquema criminoso.
— A gente vai apurar isso (vazamentos) no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação — disse o delegado Fabrício Intelizano em coletiva de imprensa nesta quinta.
Outro procurado em vários endereços é o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da viação A2 Transportes e do time de futebol Água Santa, que também não foi encontrado nos endereços visitados pelos investigadores.
