TRE-RJ barra candidata a deputada por suspeita de vínculos com cúpula do Comando Vermelho

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Mariana de Souza ganhou legenda do PP para concorrer nas eleições 2026 — Foto: Reprodução/Instagram


O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) barrou, por unanimidade, nesta sexta-feira, a candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados. A impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) apontou suspeitas de vínculos da candidata com o alto escalão do Comando Vermelho (CV). Entre os indícios citados pelo MPE está a relação com o marido, Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu”, apontado pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas como número dois da facção no estado.

Após a conclusão do julgamento, o presidente do TRE-RJ, Claudio Mello Tavares, afirmou que a decisão representa uma resposta da Justiça Eleitoral à atuação da criminalidade na política.

— Mais uma vez, o tribunal está dando uma resposta contra a criminalidade — disse o presidente.

Segundo o pedido de impugnação do MPE, Wilson foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por tráfico de drogas e a 12 anos e sete meses por associação para o tráfico. Ele está foragido e tem mandados de prisão pendentes.

A Procuradoria afirma que relatórios de inteligência apontam “vínculos profundos” de Mariana com o alto escalão do CV. Entre os argumentos apresentados no pedido de impugnação está a acusação de que a candidata teria ocultado o rosto do marido em publicações nas redes sociais para dificultar sua identificação e captura.

Empresas e movimentações financeiras

O MPE também aponta que Mariana é dona da empresa Império do Norte Ltda., registrada em endereço contíguo ao de uma empresa que, segundo a ação, teria sido aberta por Wilson com identidade falsa. Para a Procuradoria, há indícios de que as empresas possam ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.

A impugnação cita ainda seis contas bancárias em nome da candidata e aponta movimentações que, segundo o MPE, indicariam fracionamento de valores.

Outro argumento apresentado pela Procuradoria está relacionado à votação de Mariana nas eleições de 2024. Segundo o MPE, 1.451 votos recebidos pela candidata — 81,3% do total — ficaram concentrados em bairros da Zona Norte apontados pela Procuradoria como áreas dominadas pelo CV, incluindo regiões do Complexo da Penha.

Para a Procuradoria, a concentração dos votos seria compatível com a existência de um “curral eleitoral” sustentado por coerção territorial.

O MPE cita ainda R$ 14 mil em doações feitas por dez pessoas que residem ou teriam residido nessas áreas. Entre os doadores, segundo a ação, há pessoas com registros criminais ou sem renda formal compatível com os valores doados. A própria Procuradoria ressalva, porém, que esses dados, isoladamente, não comprovam que as doações sejam ilícitas.

A impugnação também menciona um áudio obtido pelas autoridades de Alagoas no qual Nem Catenga, apontado pelas autoridades como líder do CV no estado, afirma que a organização precisa de “um representante” e de “uma voz ativa” na política.

A gravação foi divulgada em junho, mas é de 2024. O áudio tinha como destinatário Patrick de Almeida Silva, o PTK, influenciador que pretendia disputar uma vaga de vereador. Ele foi preso em junho pela Polícia Civil de Alagoas quando se apresentava como pré-candidato a deputado.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/09/11/tre-rj-barra-candidata-a-deputada-por-suspeita-de-vinculos-com-cupula-do-comando-vermelho.ghtml

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