Meses — e até anos — esperando por uma consulta ou exame especializado. Para quem mora no interior, o drama ainda pode incluir uma viagem até a capital ou à Região Metropolitana para conseguir atendimento. É justamente nesse ponto que Eduardo Paes (PSD) quer bater.
O candidato ao governo do Rio anunciou nesta terça-feira (25) que pretende espalhar pelo estado o modelo dos chamados “Super Centros” de Saúde, criados pela Prefeitura do Rio. A promessa é descentralizar o atendimento, reduzir as filas do Sisreg e fazer com que o paciente encontre tratamento especializado mais perto de casa.
Durante visita ao Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande, Paes resumiu o problema que pretende enfrentar:
“O grande drama da população fluminense na saúde é quando ela identifica algum tipo de necessidade de tratamento que exija alguma especialidade e tem de ficar meses, anos, em uma fila de regulação buscando esse atendimento.”
A aposta: levar o atendimento para onde o paciente está
A proposta prevê a criação de Super Centros Regionais de Especialidades no Noroeste, Norte, Centro-Sul, Leste, Sul e Baixada Fluminense.
A lógica é simples: em vez de o morador de uma cidade do interior entrar numa fila e depois pegar estrada para conseguir atendimento especializado, a estrutura seria levada para mais perto da população.
“Que elas não tenham que se deslocar do interior até a capital ou até a Região Metropolitana. Diminuir o tempo de fila da população, do Sisreg. Esses são alguns dos nossos objetivos na saúde”, afirmou Paes.
Modelo já tem vitrine na capital
Paes usa como cartão de visitas o Super Centro Carioca de Saúde de Benfica, inaugurado em 2022.
Segundo números apresentados pela campanha, o complexo já realizou 3,4 milhões de procedimentos, entre consultas, exames e cirurgias.
A estrutura reúne o Centro Carioca do Olho, o Centro Carioca de Diagnóstico e Tratamento por Imagem e o Centro Carioca de Especialidades. O acesso ocorre pela regulação municipal, a partir das clínicas da família e dos centros municipais de saúde.
Agora, a promessa é transformar esse modelo em uma rede regional espalhada pelo estado.
Campo Grande é o novo exemplo
A Zona Oeste também entrou no projeto. A primeira fase do Super Centro de Campo Grande foi inaugurada em março deste ano e tem capacidade anunciada de 16 mil consultas mensais.
O espaço oferece especialidades médicas, reabilitação e atendimento para pessoas com TEA, além de contar com um Centro Especializado em Obesidade e Metabolismo.
A previsão é de que um Centro Carioca de Hemodiálise seja inaugurado até o fim do ano.
E veio a pancada no governo
Na agenda, Paes também aproveitou para mirar a atual administração estadual. O candidato atribuiu parte dos problemas da saúde fluminense à má gestão e à corrupção dos últimos anos e prometeu rever a distribuição dos recursos estaduais para o setor.
A proposta eleitoral, portanto, tem um alvo bem definido: a fila.
Porque, para quem está esperando meses por um exame ou consulta, pouco importa se existe uma grande estrutura na capital. O que importa é conseguir atendimento — de preferência sem precisar pegar a estrada para isso.
