O Estado do Rio de Janeiro tem 35.406 pessoas em situação de rua inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), o segundo maior número do país. Os dados ganham destaque nesta quarta-feira (19), quando é lembrado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua.
Em maio deste ano, o cadastro reunia 388.855 pessoas nessa condição em todo o Brasil. São Paulo liderava o levantamento, com 159.290 registros. Na sequência apareciam Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 34.849 inscritos.
A situação de rua está relacionada a fatores como pobreza extrema, rompimento de vínculos familiares e dificuldades de acesso à moradia e ao mercado de trabalho. No território fluminense, leis estaduais buscam ampliar o acolhimento, garantir direitos e criar caminhos para a autonomia dessa população.
Política estadual
A Lei 9.302/21 instituiu a Política Estadual para a População em Situação de Rua. A norma considera nessa condição as pessoas submetidas à extrema pobreza, com vínculos familiares fragilizados ou rompidos e sem moradia convencional regular.
A legislação garante acesso simplificado a serviços de saúde, educação, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e geração de renda.
A política também prevê uma rede de acolhimento temporário, segurança alimentar, qualificação profissional, intermediação de empregos e programas habitacionais acompanhados por equipes multidisciplinares.
A lei proíbe ainda qualquer discriminação durante o atendimento por condição econômica, origem étnico-racial ou situação de saúde, inclusive em casos relacionados ao consumo de álcool e outras drogas.
Capital concentra mais de 22 mil registros
A cidade do Rio lidera entre os municípios fluminenses, com 22.352 pessoas em situação de rua inscritas no CadÚnico. Confira os dez maiores números do estado:
1. Rio de Janeiro — 22.352 pessoas
2. Niterói — 1.015
3. Duque de Caxias — 977
4. Nova Iguaçu — 727
5. Volta Redonda — 488
6. São Gonçalo — 484
7. Maricá — 471|
8. Macaé — 402
9. Cabo Frio — 333
10. Petrópolis — 305
Da situação de rua à literatura
O escritor Leonardo Motta viveu nas ruas durante um ano e três meses, depois de enfrentar duas décadas de dependência de álcool e outras drogas. Atualmente, está sóbrio há nove anos, é casado, mora na Ilha de Paquetá e tem três livros publicados.
“O que me levou a essa situação foi a dependência química. Usei drogas durante 20 anos, entre álcool, cocaína e crack. Consegui sair das ruas quando aceitei ajuda e fui para uma instituição de tratamento, onde permaneci por sete meses”, contou.
Leonardo também criou a Revista na Calçada, publicação de poesia voltada a dar visibilidade às experiências de quem vive nas ruas. Nesta quarta-feira, ele participa de uma atividade na Biblioteca Estadual, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, para apresentar o trabalho e debater o tema.
“O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda”, afirmou.
Com informações da Agência Brasil.
