Tupac Shakur: O que sabemos sobre o assassinato e o julgamento do rapper

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O julgamento contra o ex-líder de uma gangue acusado de orquestrar o assassinato de Tupac Shakur começa nesta segunda-feira em Las Vegas — Foto: Ethan Miller/AFP




Por décadas, a identidade dos assassinos de Tupac Shakur foi uma questão que despertou grande interesse. Figura central na rivalidade entre a Costa Leste e a Costa Oeste nos anos 1990, Shakur era um gigante do hip-hop — capaz de compor tanto baladas sensíveis sobre sua mãe quanto ataques viscerais aos seus rivais — quando foi morto a tiros em 1996.
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O mistério perdeu força nos últimos anos, à medida que Duane Keith Davis, conhecido como Keffe D, declarou repetidamente ter participado do assassinato e relatou o episódio em “Compton Street Legend”, seu livro de memórias de 2019 sobre a vida nas gangues. Suas declarações levaram as autoridades a reabrir o caso.
Davis foi preso em setembro de 2023 e declarou-se inocente da acusação de homicídio com uso de arma letal. Ele não é acusado de ter matado Shakur, mas sim de ter fornecido a arma utilizada no ataque a tiros realizado a partir de um veículo em movimento.
O julgamento está previsto para começar nesta segunda-feira (10) com a seleção do júri, processo que pode levar até uma semana. Em seguida, a acusação e a defesa apresentarão seus argumentos nas declarações de abertura.
Como Tupac morreu?
Pouco depois de sair de uma luta de Mike Tyson em Las Vegas, Shakur estava em um BMW preto dirigido por Suge Knight, fundador da gravadora Death Row Records. Por volta das 23h15, Knight parou o carro no sinal vermelho em um cruzamento, logo na saída da Strip, principal avenida da cidade.
Um Cadillac branco emparelhou com o BMW, e alguém começou a atirar contra o veículo de Shakur. Quatro tiros atingiram o rapper, que morreu em um hospital seis dias depois. Ele tinha 25 anos.
O que levou ao tiroteio?
Antes da luta de Tyson, Davis havia dado US$ 4 mil a um jogador de futebol americano para comprar roupas em um shopping no sul da Califórnia, antes de o atleta seguir para a faculdade; o relato foi feito por Denvonta Lee, um integrante associado à gangue South Side Crips, a um grande júri.
O jogador estava acompanhado por membros de gangues ligadas aos Crips, que encontraram integrantes da gangue rival, a Mob Piru Bloods — facção associada a Knight. Os grupos entraram em confronto por causa de um colar da gravadora Death Row. Testemunhas afirmaram que um dos participantes da briga era Orlando Anderson, sobrinho de Davis.
Mais tarde, Anderson e Davis assistiram à breve luta de pesos-pesados ​​entre Tyson e Bruce Seldon. Depois do evento, Anderson acabou ficando sozinho perto dos elevadores do hotel MGM.
Shakur e outros membros da gangue Bloods reconheceram Anderson, aproximaram-se e começaram a agredi-lo com socos e chutes.
Os Crips buscaram vingança imediata. Mais tarde naquela noite, segundo os promotores, Anderson ou outro homem, Deandrae Smith, disparou a arma e matou Shakur.
“Ele não voltaria para Compton sem que nada fosse feito”, disse Lee ao grande júri.
Quem é o suspeito?
Davis, de 63 anos, é a única pessoa a ser acusada em conexão com o assassinato de Shakur. Os outros três ocupantes do Cadillac — Anderson, Smith e Terrence Brown — já faleceram. Anderson foi morto a tiros em um lava-rápido em Compton, em 1998.
Julgamento pelo assassinato de Tupac Shakur começa nesta segunda; promotoria espera provar que Duane “Keffe D” Davis (à direita) ordenou execução
Ethan Miller/AFP
Em suas memórias, Davis afirma ser descendente de Nat Turner, o pregador escravizado que liderou uma rebelião em 1831. Ele cresceu em Compton, onde ingressou na gangue South Side Compton Crips e tornou-se uma figura importante na hierarquia do grupo.
Davis declarou em 2014 ter sido diagnosticado com câncer de cólon e, desde então, afirmou estar em remissão. As autoridades prenderam Davis em 29 de setembro de 2023, em frente a uma casa em Henderson, Nevada. Ele disse à polícia que havia se mudado para lá devido ao trabalho de sua esposa, que estava abrindo supermercados no estado.
Quais são as provas?
Imagens de segurança do hotel mostram Shakur e outras pessoas confrontando Anderson, o que estabelece um motivo para o assassinato do rapper. As autoridades também apreenderam itens, incluindo computadores e discos rígidos, na casa de Davis.
No entanto, serão utilizadas como prova principalmente as descrições detalhadas feitas por Davis sobre como ele orquestrou o assassinato de Shakur em retaliação à briga.
Em seu livro, Davis escreveu que o grupo de Shakur “passou dos limites” ao agredir Anderson e que ele atuou como o mentor da ação, fornecendo uma pistola Glock calibre 40. Davis fez relatos semelhantes durante entrevistas gravadas com as autoridades e em participações em documentários e podcasts.
A juíza Carli Kierny decidiu que o livro e as declarações relacionadas de Davis constituem provas admissíveis. Desde então, Davis afirmou que não havia escrito nem sequer lido suas memórias e que fizera tais alegações para obter fama e fortuna.
“Eles nem sequer conseguem me situar no caso”, disse Davis à ABC News em uma entrevista realizada na prisão. “Eles não têm arma, não têm carro, não têm o Keffe D, não têm nada.”
Quem consta na lista de testemunhas?
Não está claro quem será, afinal, chamado para depor, mas os promotores apresentaram uma longa lista de possíveis testemunhas que inclui familiares de Shakur e vários nomes de destaque.
Entre eles estão Knight — ferido no tiroteio e que cumpre pena de 28 anos por um atropelamento seguido de fuga com resultado de morte — e o governador de Nevada, Joe Lombardo, ex-xerife do Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2026/08/10/tupac-shakur-o-que-sabemos-sobre-o-assassinato-e-o-julgamento-do-rapper.ghtml

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