Esquema de tráfico de corais protegidos é descoberto na Grécia, e carga avaliada em R$ 4,7 milhões é apreendida

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Coral-vermelho raro e valioso no Mediterrâneo, e a Ilha de Skopelos, na Grécia, onde grupo fez extração ilegal para contrabando — Foto: Wiki Commons e Pexels


As autoridades da Grécia descobriram um esquema de extração e tráfico ilegal de corais protegidos, que resultou na apreensão de uma carga de coral-vermelho avaliada em cerca de € 800 mil (cerca de R$ 4,7 milhões, na cotação atual). A investigação revelou que um iate alugado por cidadãos italianos, sob a pretensão de ser para lazer, era usado como base para a retirada clandestina dos corais do fundo do Mar Egeu.

Segundo a Autoridade Independente para Receitas Públicas (AADE), esses corais apreendidos são usados em joias e objetos decorativos de alto valor, disseram fontes ouvidas pelo jornal grego Kathimerini. Na embarcação foram encontrados equipamentos de mergulho especializados, ferramentas de corte, áreas de armazenamento e instalações de refrigeração utilizadas para preservar o coral extraído, segundo as investigações.

Segundo as autoridades, a operação não começou com uma fiscalização marítima de rotina, mas a partir da análise de dados realizada pela Diretoria de Operações Especiais (DEOS), um dos braços da AADE. Os sistemas de monitoramento identificaram uma empresa de transporte que apresentava um padrão incomum de remessas para portos do norte e do centro da Itália. As cargas eram descritas de forma vaga ou falsa para ocultar o conteúdo, informou o órgão ao Kathimerini. O cruzamento de documentos, rotas, movimentações e registros digitais levou os investigadores ao iate que operava nas proximidades da ilha de Skopelos.

De acordo com os investigadores, a embarcação havia sido transformada em uma plataforma flutuante para a exploração ilegal do leito marinho, destacou o jornal grego ProtoThema. As autoridades afirmaram que o coral havia sido retirado de áreas marinhas protegidas ligadas à rede europeia Natura 2000 (áreas designadas para conservar os habitats e suas espécies selvagens raras, sejam elas classificadas como ameaçadas ou vulneráveis) e seria enviado ao sul da Itália, um dos principais centros de processamento de coral-vermelho do Mediterrâneo para a fabricação de joias e de objetos decorativos.

A Grécia já iniciou a cooperação com autoridades italianas para identificar os destinatários das cargas e possíveis integrantes da organização criminosa em outros países. A hipótese de que o esquema faça parte de uma rede internacional não foi descartada, aponta a mídia local.

O coral-vermelho mediterrâneo é considerado um dos materiais marinhos mais valiosos do mundo e, por isso, recebe o apelido de “ouro vermelho”. Sua intensa coloração, que varia do vermelho profundo ao vermelho-alaranjado, faz com que seja amplamente utilizado na produção de joias e peças decorativas de luxo. O valor da carga apreendida foi estimado com base nos preços internacionais do coral-vermelho e de espécies relacionadas.

A retirada de corais do mar pode ser feita legal, mas passa por uma série de exigências, que vão desde respeito a parâmetros ambientais para evitar a degradação do meio natural, que coexiste com outras espécies, até registros de licenciamento de atividades e de compra e venda. O mercado ilegal burla essas exigências por meio de rotas clandestinas e declarações falsas, compara o ProtoThema.

Além do valor econômico, há a importância ecológica da espécie, que pode sofrer impacto direto. As colônias de coral-vermelho crescem lentamente e podem levar décadas para atingir grandes dimensões. Elas formam estruturas tridimensionais complexas que servem de abrigo e habitat para diversos organismos marinhos, razão pela qual sua remoção provoca danos ambientais que podem levar anos para serem revertidos.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/08/07/esquema-de-trafico-de-corais-protegidos-e-descoberto-na-grecia-e-carga-avaliada-em-r-47-milhoes-e-apreendida.ghtml

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