Enfim terminou a Copa do Mundo de Futebol e eu já posso dar a minha opinião. Claro, como todos os brasileiros, entendo muito de futebol e indubitavelmente escalaria e treinaria a seleção canarinha muito melhor, e por um custo muito menor, do que nosso ruminante técnico italiano.
Fiquem os leitores tranquilos, pois não irei analisar a performance do nosso escrete e repetir as explicações do injustificável já feitas pela mídia especializada (especializada, julgo eu, em garantir patrocínios publicitários e audiência ao exagerar sobre as nossas possibilidades de trazer o caneco). A seleção já se dispersou, não há mais nada a fazer. O vexame já aconteceu e só nos resta encher o peito e nos jactarmos dizendo que somos pentacampeões.
Comentarei, em alguns tópicos, outros aspectos do evento.
– Acredito que essa Copa demonstrou uma antiga escrita futebolística que dizia que “futebol se ganha no meio de campo”. Um bom goleiro e um excelente meio-campo sempre foram o segredo da vitória, mas, agora, alguns técnicos se deram mal apostando na presença de goleadores: Harry Kane, Mbappé, Haaland e Messi. Por outro lado, a Espanha foi campeã sem ter um artilheiro, mas com um meio de campo extraordinário. Se a Espanha não teve um goleador nato, terminou a Copa com uma defesa que tomou apenas um gol. E o meio de campo, não esqueçam, é parte defesa e parte ataque.
– É comum procedimentos e regras introduzidas nas Copas do Mundo serem adotadas nos campeonatos nacionais. Espero que essa coisa de partida com quatro tempos não vire procedimento obrigatório. Quebram o ritmo dos jogos fingindo hidratar os jogadores, quando, realmente, estão abrindo espaço para mais publicidades televisivas.
– Pode parecer saudosismo, e é saudosismo, mas as grandes decepções dessa Copa foram os badalados jovens Endrick e Yamal. Tidos e havidos como craques extraordinários por terem menos de 19 anos, tiveram atuação pífia. Por que saudosismo? Por que lembro das atuações de um jovem, com menos de 17 anos, que, na Copa de 1958, fez gols com o pé direito, com o pé esquerdo e com a cabeça. E foi campeão do mundo. Ah, já sacaram que estou me referindo a Pelé, até hoje o mais completo jogador do mundo! E Messi e Maradona? Alguém já viu algum deles cabecear alguma vez? Ou o Maradona jogava de goleiro? Pois saibam que Pelé, no Santos, substituiu um goleiro expulso e fechou o gol.
– Não posso ficar calado com a premiação da Fifa ao melhor jogador da Copa do Mundo. Qualquer criança percebe que o eleito, Rodri, é um grande jogador ajudado por outros ótimos jogadores espanhóis, enquanto Messi foi um craque carregando nas costas jogadores medíocres e marrentos. Por isso, mesmo não sendo campeão, o Messi foi o meu craque da Copa. Não sendo ele, eu escolheria o Vozinha, goleiro que garantiu uma surpreendente performance do desconhecido futebol caboverdiano.
– Uma surpresa inesquecível dessa Copa foi o garotinho Keyne Yamal, de três anos. Talvez, com o passar do tempo, esqueçamos o resultado de alguns jogos, mas duvido que alguém esqueça da presença do garotinho na torcida em todos os jogos da Espanha. E da sua corrida pelo gramado para abraçar o irmão já campeão.
– Quase que o “antifutebol” praticado pela Argentina, na final, levou a decisão por pênaltis, onde tudo poderia vencer e seria uma grande injustiça. Já passou da hora da Fifa abolir a decisão por pênaltis. Que tal qualquer partida de decisão terminada em zero a zero ser decidida em favor da equipe que mais acertou chutes ao gol do adversário?
– Antes de terminar esse texto tenho que expressar um receio e uma dúvida. Na Copa do Mundo de 1938, na França, a Fifa se dobrou à Hitler e proibiu a participação da Áustria naquele certame. Agora, em 2026, a FIFA baixou a cabeça perante Donald Trump e aceitou a humilhação da delegação do Irã, obrigada a se hospedar no México e ir e voltar aos EUA no mesmo dia dos seus jogos. Novamente, se curvou aceitando que o melhor juiz de futebol da África fosse proibido de entrar no país sede da Copa. Pior ainda, acatando uma ordem do presidente americano, suspendeu um cartão vermelho recebido por um jogador da seleção americana. Meu receio? Em 1938, aquela submissão deu no que deu.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/copa-do-mundo-e-donald-trump-alfeu/

