Avaliação negativa supera a positiva em mais de 11 pontos. No Sudeste, região que inclui o Rio de Janeiro, 51,2% classificam a gestão como ruim ou péssima; entre os evangélicos, rejeição ao governo chega a 73,7%
Lula entra na campanha presidencial liderando os principais cenários eleitorais, mas carregando um problema que pode limitar sua capacidade de crescer: praticamente metade do país reprova seu governo.
Segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg de julho, 49,3% dos brasileiros consideram a administração de Lula ruim ou péssima. Apenas 37,9% avaliam o governo como ótimo ou bom, enquanto 12,7% classificam a gestão como regular. A diferença entre as avaliações negativa e positiva é de expressivos 11,4 pontos percentuais.
O resultado é ainda mais desconfortável quando a pergunta se concentra diretamente no desempenho pessoal do presidente. A desaprovação de Lula chega a 51,2%, contra 47,6% de aprovação. Ou seja, apesar de continuar eleitoralmente competitivo, o presidente começa a disputa com a maioria dos entrevistados desaprovando seu trabalho.
Sudeste acende alerta para o Planalto
O cenário é especialmente delicado no Sudeste. Na região, 51,2% dos entrevistados classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto somente 33,8% consideram a gestão ótima ou boa. Outros 14,9% avaliam o governo como regular.
A pesquisa não apresenta dados separados por estado e, portanto, não é possível afirmar que esses percentuais representam especificamente o eleitorado do Rio de Janeiro. Ainda assim, como o estado integra o Sudeste, o recorte regional funciona como um sinal de alerta para a campanha de Lula em território fluminense.
Para o Rio, o dado ruim é a dificuldade do governo de construir uma avaliação positiva majoritária na região. Mesmo antes do início mais intenso da campanha, a imagem administrativa de Lula aparece desgastada entre os eleitores do Sudeste.
Isso significa que o presidente poderá chegar ao Rio buscando votos não apenas contra seus adversários, mas também contra a percepção negativa acumulada sobre o próprio governo. O desafio será transformar liderança eleitoral em apoio efetivo à continuidade da gestão.
Rejeição dispara entre os evangélicos
O quadro mais desfavorável para Lula aparece entre os eleitores evangélicos. Nesse grupo, 73,7% consideram o governo ruim ou péssimo. Apenas 20,2% avaliam a administração como ótima ou boa, enquanto 6,1% a classificam como regular.
Na pergunta sobre o desempenho pessoal do presidente, o distanciamento é ainda mais evidente: 76,5% dos evangélicos desaprovam Lula, enquanto aproximadamente 23% aprovam.
O resultado mostra que Lula não enfrenta apenas resistência eleitoral nesse segmento. Há uma rejeição consolidada à própria administração federal. Isso reduz o espaço para uma campanha baseada exclusivamente nas entregas do governo e obriga o presidente a tentar reconstruir pontes com um eleitorado que, neste momento, demonstra forte oposição.
Para a disputa no Rio, o recorte merece atenção especial. Sem apresentar números exclusivos do estado, a pesquisa não permite medir exatamente o tamanho da resistência entre os evangélicos fluminenses. Mas o resultado nacional indica que esse eleitorado pode se transformar em um dos principais obstáculos para Lula durante a campanha.
Liderança eleitoral esconde vulnerabilidade
Os cenários de intenção de voto oferecem uma fotografia mais favorável ao presidente. Lula lidera os testes de primeiro turno e venceria todos os adversários avaliados em um eventual segundo turno.
Contra Flávio Bolsonaro, por exemplo, Lula aparece com 49,2%, ante 42,9% do senador. A diferença é de 6,3 pontos percentuais.
Mas a vantagem eleitoral convive com uma rejeição elevada. Quase metade dos entrevistados, 49,4%, afirma que não votaria em Lula de jeito nenhum. A rejeição do presidente só fica abaixo da registrada por Flávio Bolsonaro, que alcança 52,9%.
Até mesmo numa repetição hipotética da eleição de 2022, a disputa aparece praticamente empatada. Lula teria 43,2%, contra 42,3% de Jair Bolsonaro — uma diferença inferior a um ponto percentual.
A pesquisa, portanto, apresenta um paradoxo para o governo. Lula continua sendo o candidato individualmente mais competitivo, mas inicia a corrida presidencial com a administração reprovada por quase metade do país, rejeição próxima de 50% e dificuldades acentuadas no Sudeste e entre os evangélicos.
O copo meio vazio para o Planalto é claro: Lula lidera mais pela força de seu nome e pela polarização do que pela aprovação de seu governo. Para ampliar a vantagem e reduzir os riscos de uma disputa apertada, precisará convencer uma parcela do eleitorado que, neste momento, não apenas rejeita sua candidatura, mas avalia negativamente os resultados de sua gestão.
Fonte: Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg — Eleições Presidenciais Brasil 2026, divulgada em julho de 2026. Foram entrevistadas 5.021 pessoas entre 22 e 27 de julho. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. Registro no Tribunal Superior Eleitoral: BR-08602/2026.

