Escolher um hotel em Nova York parece simples. Até você perceber que a hospedagem pode mudar completamente a cidade que vai conhecer. Hoje, quando alguém me pede uma recomendação, em vez de responder com o nome de um hotel, faço outra pergunta: que Nova York você quer viver?
Depois de me hospedar recentemente em três hotéis de luxo bastante diferentes — Loews Regency, Baccarat Hotel e Fouquet’s New York — percebi que o maior erro na hora da reserva é comparar apenas número de estrelas, diárias ou amenidades. Em uma cidade tão diversa quanto Nova York, a hospedagem influencia o bairro que você vai explorar, os restaurantes onde vai acabar jantando e até o ritmo da viagem.
Foi curioso perceber isso na prática.
No Loews Regency, na elegante Upper East Side, meus dias naturalmente começaram mais cedo. Bastava sair do hotel para caminhar pelo Central Park, visitar museus ou percorrer a Madison Avenue. Um dos meus programas preferidos era tomar café na Sant Ambroeus, que fica praticamente ao lado e traduz perfeitamente o estilo sofisticado e discreto do bairro.


Outro diferencial é o tamanho dos quartos, generosos para os padrões de Manhattan. Não por acaso, o hotel costuma receber celebridades — Anitta, por exemplo, já se hospedou ali. É uma escolha que faz sentido para quem quer experimentar uma Nova York clássica, elegante e residencial.

Já o Baccarat Hotel, em frente ao MoMA, oferece uma experiência completamente diferente. A localização facilita explorar Midtown a pé, seja para visitar museus, caminhar pela Quinta Avenida ou jantar em alguns dos melhores restaurantes da região. Mas o grande diferencial está dentro do próprio hotel.

O serviço é extremamente atencioso, o imponente Grand Salon convida a desacelerar entre um passeio e outro, e o spa da La Mer reforça a proposta de transformar a hospedagem em parte da viagem. É um hotel para quem aprecia design, boa gastronomia e entende que, às vezes, vale a pena voltar mais cedo apenas para aproveitar o próprio endereço.


No Fouquet’s New York, em Tribeca, o ritmo muda novamente. Inspirado na tradicional maison parisiense, o hotel fica a poucos minutos do Soho e do Hudson River Park, um dos lugares mais agradáveis para caminhar no fim da tarde. A tradicional Brasserie Fouquet’s é um dos pontos altos da experiência, assim como o discreto speakeasy escondido no hotel.


É uma região que convida a explorar galerias, cafés e lojas independentes, revelando uma Manhattan menos acelerada e muito mais voltada para quem gosta de descobrir a cidade sem pressa.

No fim da viagem, percebi que nenhum deles é simplesmente “melhor” do que o outro. Cada um entrega uma forma diferente de viver Nova York.
Talvez esse seja o principal aprendizado para quem está planejando uma viagem à cidade. Antes de comparar estrelas, tamanho dos quartos ou preço da diária, vale entender o que você realmente espera de Nova York. Quer acordar ao lado do Central Park? Estar no coração de Midtown? Caminhar até os principais museus? Fazer do hotel parte da experiência? Ou prefere uma Manhattan mais tranquila, com clima de bairro?

Quando você responde a essas perguntas, a escolha da hospedagem fica muito mais fácil. Porque, no fim, o melhor hotel não é o mais caro nem o mais famoso. É aquele que combina com a Nova York que você deseja viver.
Para quem é cada hotel
Loews Regency: para quem busca a Nova York clássica, elegante e próxima ao Central Park, museus e Madison Avenue.
Baccarat Hotel: para quem faz da hospedagem parte da viagem e valoriza design, gastronomia, bem-estar e uma localização privilegiada em Midtown.
Fouquet’s New York: para quem prefere uma Manhattan mais intimista, entre Tribeca, Soho e o Hudson River, com um ritmo mais tranquilo e excelente cena gastronômica.
Renata Araújo é jornalista, editora do site You Must Go! e da página no Instagram @youmustgoblog.

