Piloto brasileiro foragido por tráfico morre com 'bactéria comedora de carne' após ser abandonado por comparsas em rio

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Piloto brasileiro investigado pelo envolvimento com o tráfico morre na Colômbia — Foto: El Tiempo




Um piloto brasileiro investigado por atuar para o tráfico de drogas morreu na Colômbia após ser deixado ferido por comparsas à beira de um rio. Internado em um hospital e sob custódia, o quadro de saúde piorou rapidamente de gravidade, sendo associado à chamada “bactéria comedora de carne”. Márcio Uebel Hubner, de 49 anos, é procurado pela Justiça desde 2022, quando realizou um pouso forçado no interior de São Paulo, com 656 quilos de cocaína a bordo.
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Informações obtidas pelo jornal colombiano El Tiempo indicam que Hubner, durante os anos em que esteve foragido da Justiça, se movimentou em um circuito entre Brasil, Venezuela e Colômbia, onde passou a operar para Ivan “Mordisco”, o homem mais procurado da Colômbia.
Após a entrega pelos comparsas, uma infecção teria avançado sobre as extremidades do piloto, com alguns tecidos já apresentando necrose. As autoridades, então, encaminharam Hubner a um hospital para avaliação do quadro de saúde e, quando houve a verificação do nome, um alerta da Migração Colombiana revelou que o brasileiro aparecia nos sistemas da Interpol.
Depois de sua identidade ser confirmada no Hospital, Hubner ficou sob custódia da Polícia Nacional. O caso passou à Direção de Assuntos Internacionais da Procuradoria-Geral da Nação da Colômbia, responsável por conduzir os procedimentos relacionados ao pedido do Brasil. Os médicos avaliavam uma intervenção cirúrgica enquanto a infecção continuava afetando seu organismo. A necrose havia comprometido suas extremidades e, segundo informações obtidas pelo El Tiempo, posteriormente surgiram múltiplas falências dos órgãos.
Em 20 de agosto de 2026, cinco dias após ser identificado e colocado sob custódia das autoridades colombianas, Márcio Uebel Hübner morreu no Hospital Renacer Intercultural.
A aeronave de 656 quilos
Para entender por que Hubner era procurado, é preciso voltar a julho de 2022. Entre os dias 2 e 3 daquele mês, uma aeronave que transportava cerca de 656 quilos de cocaína para o interior do estado de São Paulo foi detectada pelas autoridades brasileiras.
A operação terminou em Jales, onde a aeronave fez um pouso forçado, e a carga ficou em poder das autoridades. A investigação aberta a partir daquele episódio buscou estabelecer quem havia participado da operação e como havia sido organizado o transporte aéreo de mais de meia tonelada de cocaína. O nome de Hübner apareceu nesse processo. Segundo a notificação vermelha da Interpol obtida pelo jornal colombiano, as autoridades brasileiras o identificaram como piloto da aeronave e atribuíram a ele participação tanto na logística quanto na execução do transporte da carga.
O processo avançou pelos crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. Conforme as informações registradas no pedido internacional, Hubner poderia enfrentar uma pena máxima de 40 anos de prisão caso fosse encontrado. Naquele momento, porém, a localização dele era desconhecida.
Nos anos seguintes, o processo continuou avançando no Brasil e, no último dia 16 de junho, o Primeiro Juizado Federal de Jales, em São Paulo, expediu um mandado de prisão contra ele. No dia seguinte, as autoridades brasileiras comunicaram o pedido internacional e solicitaram aos países-membros da Interpol que o localizassem e efetuassem sua prisão provisória para fins de extradição. Naquele momento, as pistas sobre seus movimentos já levavam à Amazônia.
Um circuito entre três países
Fontes que conhecem o caso afirmam que sua experiência na aviação teria sido utilizada para transportar cargas de cocaína entre Brasil, Venezuela e Colômbia. Na reconstrução desses movimentos aparece, além disso, sua relação com uma empresa de aeronaves, uma pista que permitiria estabelecer quais aviões estiveram sob sua operação, quais eram suas matrículas e quais trajetos realizaram. É nesse período que surge a conexão com as dissidências de Iván Mordisco.
O pedido de extradição do Brasil não chegou a ser executado, e Hubner não compareceu perante o Primeiro Juizado Federal de Jales para responder pelo processo de 2022. Nas investigações, permaneceram abertas outras linhas sobre os anos em que esteve fora do alcance das autoridades: sua relação com uma empresa de aeronaves, os voos que teria realizado entre Brasil, Venezuela e Colômbia e a extensão de seus contatos com redes ligadas às dissidências de Mordisco.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/09/08/piloto-brasileiro-foragido-por-trafico-morre-com-bacteria-comedora-de-carne-apos-ser-abandonado-por-comparsas-em-rio.ghtml

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