Patrimônio de Val Ceasa dispara 1.200% em quatro anos e MP vê suspeita de subfaturamento e lavagem de dinheiro

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O Ministério Público (MPRJ) aponta um aumento expressivo — estimado em cerca de 1.200% — na evolução patrimonial do deputado Val Ceasa (PRD) em poucos anos. Segundo os investigadores, esse crescimento estaria associado à aquisição de imóveis de alto padrão adquiridos com valores abaixo do praticado no mercado, levantando suspeitas de subdeclaração e possível ocultação de recursos, incluindo uma mansão na Barra da Tijuca e um apartamento localizado na orla da Avenida Lúcio Costa.

O parlamentar é o principal alvo de uma operação realizada nesta quinta-feira (18), que apura se ele teria exercido influência política em benefício do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa com atuação em comunidades da Zona Norte do Rio.

De acordo com os dados citados pelo MP, nas eleições de 2022 Val declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,1 milhão. As investigações mais recentes, porém, identificam movimentações financeiras que ultrapassam R$ 13 milhões envolvendo o deputado e empresas vinculadas ao seu nome, o que reforça suspeitas de lavagem de dinheiro.

Entre os bens analisados está uma mansão situada na Rua Jayme Landman, na Barra da Tijuca, adquirida formalmente por R$ 2,8 milhões. Apesar disso, a avaliação utilizada para cálculo de ITBI indica valor de R$ 5,5 milhões, enquanto imóveis similares na mesma região chegam a ser vendidos por até R$ 13,2 milhões.

Outro ponto destacado na investigação é um apartamento no Recreio dos Bandeirantes, adquirido em copropriedade na Avenida Lúcio Costa. O imóvel foi registrado por R$ 500 mil, embora a avaliação fiscal tenha apontado valor próximo de R$ 1,5 milhão, o que, segundo o MP, reforça a hipótese de subvalorização na transação.

MP aponta possível expansão patrimonial ligada a empresa de Val Ceasa no Espírito Santo

Além dos imóveis no Rio de Janeiro, os investigadores também analisam aplicações e empreendimentos no Espírito Santo. Uma empresa associada ao deputado, com atuação no cultivo de frutas e registrada na Ceasa do Rio, teria adquirido uma área rural e erguido um galpão de aproximadamente 3 mil metros quadrados, em um investimento estimado em R$ 3,3 milhões.

A apuração aponta indícios de incompatibilidade entre o crescimento patrimonial e a renda declarada, além de possível tentativa de ocultação de bens. Com base nisso, foi solicitada à Justiça a quebra de sigilo telemático e o acesso aos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, para reconstituir o fluxo financeiro desde 2019, envolvendo o parlamentar, familiares e pessoas próximas.

Segundo a investigação, Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins e o ex-assessor Michael Johnny Vianna de Azevedo são suspeitos de atuar para impedir a demolição de um imóvel descrito como “resort” ligado ao traficante Peixão, apontado como líder do TCP. A ação de derrubada da estrutura, conforme o inquérito, chegou a ser suspensa por mais de um ano após essas intervenções.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/val-ceasa-cresceu-patrimonio-mp/

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