Ou a Prefeitura de Niterói foi omissa por anos… ou abusou da autoridade de última hora. Não tem meio-termo — e foi exatamente essa contradição que o vereador Douglas Gomes (PL) escancarou com documento oficial na mão, ao lado dos colegas Allan Lyra e Fernanda Louback, do mesmo partido, em frente à 77ª DP (Icaraí), onde o caso de abuso de autoridade na interdição de um arraiá no Caio Martins foi registrado.
Douglas apresentou documentos mostrando que o evento barrado tinha alvará e laudo do Corpo de Bombeiros. Mesmo assim, foi interrompido sem a apresentação de um auto de interdição válido.
“Eu pedi o auto de interdição válido. NÃO EXISTE. O que mostraram foi um relatório que não cancela alvará nem laudo”, disparou.
E é justamente esse relatório que complica a versão da própria Prefeitura.
O texto da Defesa Civil confirma risco estrutural — mas entrega o ponto central: o problema é antigo, conhecido desde 2023, e está concentrado nas arquibancadas e áreas adjacentes. Mais do que isso, o documento admite que os riscos vêm sendo apontados há anos, sem solução.
Ou seja: a Prefeitura sabia há muito tempo.
E mesmo assim, eventos seguiram acontecendo normalmente no local.
“Teve rugby há três semanas, luta há dois meses… o espaço vinha sendo usado direto”, afirmou Douglas, apresentando vídeos dos eventos.
A partir daí, a conta não fecha — e vira cobrança pública:
Se o risco era real e grave, por que deixaram acontecer por tanto tempo?
Se não era, por que barraram justamente esse, com tudo pronto e gente trabalhando?
A vereadora Fernanda Louback subiu o tom: “A impressão que passa é que eles são donos de Niterói. Depende de quem faça, né? Se o evento é de determinada pessoa, ele não pode acontecer. Isso a gente vem acompanhando”
Para o vereador, a decisão não se sustenta nem no próprio documento usado como justificativa.
“Esse relatório fala da arquibancada — não da área da festa. Mesmo assim mandaram parar tudo.”
E tem mais um detalhe que pesa contra a versão oficial: a Defesa Civil esteve no local no mesmo dia e não interditou o evento.
“Foi lá duas vezes de manhã e não lacrou nada.”
O resultado foi imediato e visível: prejuízo na veia. Barracas montadas, comida pronta e trabalhadores sendo surpreendidos.
“Gente jogando carne fora, comida pronta… prejuízo incalculável.”
Douglas fechou com acusação direta:
“Como autorizam e cancelam em cima da hora? Isso é abuso de poder.”
Com o documento exposto, o caso deixa de ser só sobre um arraial cancelado. Vira um problema maior: ou a Prefeitura ignorou um risco que dizia conhecer há anos… ou usou esse mesmo risco como desculpa de última hora.
E qualquer uma das duas versões é pesada.
Termo_de_Ajustamento_de_Conduta__Tac_n_005.2024
ALVARÃ_
DocumentoPadrao_novo relatorio_defesa_civil_caio_martins

