O litoral de Maricá registrou quatro tremores de terra em pouco mais de 24 horas. Apesar da sequência de abalos sísmicos, especialistas afirmam que os fenômenos são naturais, de baixa magnitude e não representam motivo de preocupação para a população.
Os eventos aconteceram em alto-mar, na costa do Rio de Janeiro, e foram monitorados por estações sismográficas espalhadas pelo país. Até o momento, não há relatos de moradores que tenham sentido os tremores.
Os principais abalos registrados tiveram magnitudes de 3.3, na madrugada de quinta-feira, e 3.1, na manhã desta sexta-feira. Segundo especialistas, os outros tremores registrados são considerados eventos secundários relacionados aos fenômenos principais.
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De acordo com o sismólogo e pesquisador Gilberto Leite, os tremores ocorreram muito próximos um do outro e fazem parte da atividade sísmica comum da plataforma continental do Sudeste brasileiro.
“Esses dois eventos aconteceram muito perto um do outro na costa do Rio. São eventos naturais, comuns, que frequentemente a gente registra na margem sudeste do Brasil, na região da plataforma continental que concentra os eventos sísmicos marinhos do Brasil”, explicou.
Segundo o pesquisador, os abalos tiveram magnitudes entre 2 e 3, o que dificulta que sejam percebidos pela população.
“Esses eventos acontecem no mar e dificilmente serão sentidos pela população”, disse.
O especialista destacou ainda que o Brasil possui cerca de 100 estações sismográficas responsáveis pelo monitoramento contínuo da atividade sísmica em todo o território nacional. O trabalho é coordenado pelo Observatório Nacional, com apoio do Serviço Geológico do Brasil e análise do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.
Segundo Gilberto Leite, a costa do Sudeste concentra a principal faixa de atividade sísmica offshore do país, onde pequenos terremotos são registrados regularmente.
“A margem sudeste do Brasil, em particular, é considerada a principal zona sísmica offshore do país, onde pequenos terremotos ocorrem de forma relativamente frequente”, explica.
O pesquisador ressaltou que o Brasil apresenta sismicidade considerada baixa a moderada, diferente de países localizados em zonas de encontro entre placas tectônicas, onde acontecem terremotos de grande intensidade.
Os tremores, segundo ele, acontecem devido ao acúmulo de tensões na crosta terrestre.
“Esses eventos acontecem por pressões ou tensões na placa tectônica, que se acumulam na crosta terrestre e eventualmente são liberadas na forma de terremoto.”
Ainda de acordo com o especialista, embora Maricá seja a cidade mais próxima do local dos tremores, isso não significa que exista uma concentração específica de atividade sísmica no município.
No ano passado, um outro tremor foi registrado próximo à Baía de Guanabara e também não chegou a ser sentido pelos moradores da região.
“Em princípio não há motivo para preocupação. Esses eventos estão dentro do esperado do que a gente geralmente observa, então não é nada novo nem preocupante”, afirmou o sismólogo.

