Com novo polo na Cantareira, Niterói mira economia do conhecimento

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Um dos principais desafios do novo ciclo é promover a transição econômica. Embora Niterói tenha dobrado o Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, com a arrecadação dos royalties, a meta agora é consolidar uma economia baseada no conhecimento, na inovação e na tecnologia. Dentro desse plano o destaque é o Distrito de Inovação, voltado à criação de um ambiente integrado de ciência, tecnologia e inovação, instalado no histórico prédio da Cantareira. A proposta, detalhada ao longo do evento Caminhos de Niterói, é integrar a prefeitura, universidades, o setor privado e o ecossistema de startups para estimular novos negócios, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. Empresas como IBM e Nvidia já fecharam parcerias com o município.
Parceria com a academia
Durante o ciclo de debates, o reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega destacou o programa Plano de Desenvolvimento de Projetos Aplicados como exemplo concreto da parceria entre a UFF e a prefeitura — iniciativa que ele considera única no mundo pela magnitude do investimento municipal na interação com a academia a fim de resolver problemas cotidianos da população. No modelo, foram os objetivos estratégicos do município que pautaram os desafios apresentados à universidade, e não o contrário: dos mais de 180 projetos submetidos, 60 foram financiados. De acordo com Nóbrega, o grande diferencial da relação entre Niterói e a UFF está na compreensão do processo de inovação como algo de médio e longo prazos — postura que, segundo ele, ainda não está consolidada como prática na cultura brasileira, mas que é condição indispensável para qualquer país que pretenda inovar de forma consistente.
— É importante que a universidade tenha essa perspectiva, assim como o poder público e as empresas, de termos um ambiente de cooperação. E eu acho que esse é o grande ativo dessa relação de Niterói com a UFF. Veja que isso, até onde eu sei, é único no mundo, onde uma municipalidade faz um investimento dessa magnitude na produção ou na interação de conhecimento com a academia para a solução de problemas do cotidiano da população. E eu também gosto de chamar a atenção para o fato de que a universidade não veio ensinar a municipalidade, ela veio agregar o que existe em uma competência técnica muito bem estabelecida — frisou.
A prefeitura lançou, no final do mês passado, o Marco Zero do Distrito de Inovação da Cantareira. Ao falar sobre a iniciativa, a secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Marcele Sardinha, defendeu como a integração de diversas políticas molda esse recorte urbano. Ela apontou a moradia como gatilho de um ciclo mais amplo de desenvolvimento: com residentes fixos no Centro, o comércio cresce, os serviços se instalam e novos negócios surgem naturalmente. Para viabilizar essa ocupação em um momento de alta de juros, que torna o financiamento bancário mais restritivo para o setor da construção civil, a prefeitura estruturou um fundo imobiliário operado pela Caixa Econômica Federal (CEF), desenhado para manter o setor ativo e direcionar investimentos para o Centro, contemplando novas unidades residenciais, empreendimentos hoteleiros e operações de retrofit de prédios antigos.
Prefeito e alunos da UFF posam com robô
Divulgação/Evelyn Gouvea
Marcele destacou que essa dinâmica torna viável o crescimento e a manutenção do distrito do ponto de vista da circulação de pessoas e ideias, e ressaltou que a política reflete o modelo de gestão transversal adotado pela prefeitura.
— Nessa conexão, uma política pública vai impulsionando a outra, sempre com objetivos traçados dentro do nosso planejamento. Gostamos de reforçar que o Distrito é “figital” (físico e digital). E esse conceito traz mais um viés inovador para essa política, porque não se limita à ideia de que inovação está apenas no digital. Ela também se dá na conexão entre as pessoas, na convivência e na troca de ideias — destacou.
Para Julia Gama Zardo, especialista em Ambientes de Inovação da Firjan, o diferencial de Niterói na disputa com outras referências nacionais, como Recife e Florianópolis — que, em poucos anos, construíram ecossistemas de tecnologia e economia criativa —, está na capacidade de combinar um processo de desenvolvimento induzido e planejado com uma aposta na diversidade. Para ela, iniciativas como o Aluguel Universitário, que reúne no mesmo território moradores de diferentes perfis sociais, criam o ambiente heterogêneo que a inovação exige. A presença da UFF, gerando fluxo constante de pessoas e ideias, é apontada como um ativo difícil de replicar.
Imagem do projeto para o entorno do Distrito
Divulgação/Prefeitura de Niterói
— Niterói tem essa frente da diversidade, com o aluguel universitário e a perspectiva de diferentes moradias para diversas classes sociais no mesmo território. Isso é fundamental para gerar inovação. Experiências internacionais mostram que ambientes diversos, com pessoas de diferentes trajetórias, são essenciais para solucionar problemas complexos — afirmou.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/05/com-novo-polo-na-cantareira-niteroi-mira-economia-do-conhecimento.ghtml

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