Nesta quarta-feira, durante operação policial em cinco favelas controladas pelo Comando Vermelho na área central do Rio, seis suspeitos e um morador foram baleados dentro de uma quitinete na parte baixa da Rua Barão de Petrópolis, no Rio Comprido. Imagens do imóvel cheio de marcas de tiro e sangue por toda parte viralizaram nas redes sociais. A cena, apesar de chocante, não é uma novidade. Em fevereiro de 2019, a pouco mais de um quilômetro de onde ocorreram as mortes de ontem, policiais militares mataram nove traficantes dentro de uma casa em um dos acessos à comunidade do Fallet. Na ocasião, um vídeo de quatro minutos, gravado por um morador, mostrou os cadáveres sendo colocados na caçamba da viatura, que seguiu para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Todos chegaram à unidade já mortos.
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Treze policiais foram acusados pelo Ministério Público de terem agido para prejudicar a perícia que seria feita no local. No entanto, para a Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), prevaleceu a versão dos agentes de que algumas das vítimas ainda apresentavam sinais vitais quando foram colocadas no veículo.
Os PMs atiraram 94 vezes com fuzis dentro da casa. Ao todo, os nove homens baleados no local foram atingidos por 30 tiros. Todos os que estavam dentro do imóvel foram baleados pelo menos duas vezes. Em abril de 2024, a Auditoria Militar absolveu os policiais.
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Em sua decisão — acompanhada, por unanimidade, por quatro juízes militares que compunham o Conselho Especial de Justiça da PM —, o juiz Leonardo Rodrigues da Silva Picanço escreveu: “Diante de uma situação extremamente desafiadora tal como a sob testilha, os policiais se depararam com uma verdadeira ‘escolha de Sofia’: responder por possível omissão de socorro ao deixarem as vítimas padecerem no local do confronto armado sem qualquer tipo de cuidado; ou por fraude processual, por intentarem socorrer suas vidas, não importa quantas fossem as vítimas que ainda estivessem vivas, mas desconfigurarem, com isso, o local de crime”.
Apesar de a auditoria não poder julgar os PMs pelos homicídios, Picanço também afirmou, à época, que “revela-se mais do que crível que os ora denunciados estivessem atuando em legítima defesa, em meio ao confronto com reconhecidos meliantes da localidade”. A investigação sobre os homicídios segue em andamento.

