Governo Lula tenta blindar PCC e CV de rótulo terrorista nos EUA

Tempo de leitura: 4 min


Enquanto a operação “contenção” do governador Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro fortalece o discurso de enfrentamento às facções, o governo Lula (PT) se movimenta em sentido contrário. Enquanto o presidente prepara uma visita oficial à Casa Branca para se reunir com Donald Trump, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, articula junto ao Congresso americano, numa tentativa de evitar que o PCC e o Comando Vermelho sejam rotulados como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Essa classificação, defendida por parlamentares republicanos como Marco Rubio, já está em fase avançada no Legislativo americano.

O temor do Planalto

Diplomatas brasileiros alegam que a medida poderia justificar intervenções militares dos EUA na região, algo que o governo Lula alega ser uma ameaça à soberania nacional. O Itamaraty argumenta que PCC e CV não se enquadram no conceito de terrorismo, por não terem motivação ideológica, mas sim econômica.

No entanto, a história recente mostra que os EUA só avançam militarmente quando há evidências de que governos patrocinam ou se beneficiam diretamente do tráfico. Foi o caso da Venezuela, onde Nicolás Maduro foi acusado de chefiar o Cartel de los Soles e acabou capturado em uma operação americana. Quando não há essa ligação, Washington costuma cooperar com países em ações conjuntas contra o narcoterrorismo.

No caso do Paraguai, os Estados Unidos atuaram em cooperação oficial com o governo, instalando bases militares e centros de inteligência na Tríplice Fronteira para reforçar o combate ao narcotráfico e ao terrorismo. Essa parceria foi formalizada por meio de acordos bilaterais e contou com apoio do FBI e do Departamento de Defesa, sem qualquer intervenção unilateral.

O contraste com a Venezuela é evidente: lá, Washington acusou Nicolás Maduro de chefiar um cartel ligado ao tráfico e, diante da suspeita de envolvimento direto do governo, realizou uma operação militar de captura. Ou seja, quando não há indícios de patrocínio estatal ao crime, os EUA preferem a cooperação.

O que está em jogo

– Classificação como FTO: torna crime fornecer apoio material às facções, bloqueia ativos e restringe vistos.
– Impacto internacional: isola os grupos e acelera a cooperação global contra o narcotráfico.
– Posição do Brasil: governo Lula alega que o rótulo abra espaço para ingerência externa.
– Clamor popular: após operações duras contra o crime, parte da sociedade vê a medida como necessária para enfraquecer financeiramente as facções.

Governo Lula contra a maré popular

A visita de Lula a Trump promete expor um choque de narrativas: de um lado, o endurecimento interno contra o crime organizado e a pressão popular por medidas mais severas; de outro, a tentativa do governo brasileiro de evitar que facções sejam tratadas como terroristas. O desfecho dessa disputa pode redefinir não apenas a política de segurança no Brasil, mas também o papel do país na geopolítica do combate ao narcotráfico. Além, é claro, de impactar nas eleições de outubro.



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/politica/09/03/2026/governo-lula-tenta-blindar-pcc-e-cv-de-rotulo-terrorista-nos-eua

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *