Inchaço nas pernas pode indicar doença renal e exige atenção aos sinais associados

Tempo de leitura: 5 min


A nefrologista Dra. Carlucci Ventura detalha quando o inchaço persistente exige investigação da função dos rins

Femme Spirit/Unsplash
Calor, tempo prolongado em pé e alterações circulatórias são algumas causas do inchaço nas pernas

O inchaço nas pernas é uma queixa comum nos consultórios, sobretudo ao final do dia. Em geral, é atribuído ao calor, ao tempo prolongado em pé ou a alterações circulatórias. Essas causas são frequentes, mas não esgotam as possibilidades. Em alguns casos, o edema pode estar relacionado a alterações na função dos rins, o que exige avaliação adequada para evitar que um problema progressivo seja identificado apenas em fases mais avançadas.

Como os rins influenciam o inchaço do corpo

Os rins desempenham papel essencial na regulação do equilíbrio de líquidos e sais do organismo. Ao filtrar o sangue continuamente, eliminam o excesso de água, controlam os níveis de sódio e contribuem para a manutenção da pressão arterial. Quando essa capacidade de filtração está comprometida, ocorre retenção de líquidos, que pode se manifestar clinicamente como inchaço.

Nos quadros de origem renal, o edema tende a ser mais evidente nas áreas mais baixas do corpo, como pés, tornozelos e pernas, devido ao efeito da gravidade. Nas fases iniciais, pode ser discreto e intermitente, o que dificulta a percepção de que há um distúrbio em curso. Com a progressão da alteração, o acúmulo de líquidos pode tornar-se mais amplo, envolvendo também mãos, pálpebras e, em situações mais avançadas, a região abdominal.

Diferença entre edema renal e outras causas comuns

É importante lembrar que nem todo inchaço tem origem nos rins, e é justamente por isso que o diagnóstico correto faz toda a diferença. Problemas venosos, como insuficiência venosa crônica, costumam provocar um edema que piora ao longo do dia e melhora com a elevação das pernas, frequentemente acompanhado de sensação de peso ou presença de varizes. Já o inchaço de origem cardíaca costuma vir associado à falta de ar e ao cansaço aos esforços. Gravidez, uso de certos medicamentos, distúrbios hormonais e doenças hepáticas também podem estar entre as causas possíveis.

Nos casos renais, o edema tende a ser mais uniforme, pode surgir mesmo em repouso e não melhora completamente com a elevação dos membros. Além disso, costuma estar associado a outros sinais de alerta, como urina espumosa (que pode indicar perda de proteína na urina), diminuição do volume urinário e ganho de peso rápido. A presença de proteína na urina, aliás, é um achado importante que pode apontar para comprometimento da função renal.

Quando procurar avaliação especializada

O inchaço nas pernas deve ser investigado quando é persistente, progressivo ou surge sem explicação clara. Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças autoimunes, histórico familiar de doença renal ou que fazem uso prolongado de determinados medicamentos precisam de atenção redobrada.

A avaliação médica começa com exame clínico detalhado e inclui exames laboratoriais simples, como dosagem de creatinina no sangue, análise de urina e pesquisa de proteínas urinárias. Em alguns casos, exames de imagem também podem ser necessários para esclarecer a causa do edema.

Quanto mais cedo uma alteração renal é identificada, maiores são as chances de controlar a progressão da doença e evitar complicações mais graves.

O inchaço pode parecer um sintoma banal, mas, quando persistente, merece atenção. Embora frequentemente relacionado a problemas circulatórios, também pode ser um sinal de doença renal. Investigar a causa é um passo essencial para proteger os rins e preservar a saúde de forma integral.

Dra. Carlucci Ventura – CRM/SP 75746

Nefrologista

Membro da International Society of Nephrology

Membro da Brazil Health





Com informações da fonte
https://jovempan.com.br/saude/inchaco-nas-pernas-pode-indicar-doenca-renal-e-exige-atencao-aos-sinais-associados.html

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *