Instalada no dia 4 de novembro do ano passado, a CPI do Crime Organizado realizou outras sete reuniões até o momento. A última delas ocorreu há pouco mais de dois meses, quando os integrantes do colegiado ouviram o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e secretários estaduais da sua gestão, em 17 de dezembro.
Desde a volta do recesso, a comissão marcou mais quatro encontros para tomar os depoimentos dos governadores Ibaneis Rocha (Distrito Federal), Cláudio Castro (Rio de Janeiro) e Raquel Lyra (Pernambuco), mas nenhum deles foi realizado, diante do cancelamento dos convidados.
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Após este hiato forçado, a CPI deve retomar seus trabalhos na manhã desta terça-feira, a partir das 9h, para realizar a oitiva do diretor geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, convocado por iniciativa do relator da comissão, Alessandro Vieira (MDB-SE). O requerimento em questão foi aprovado ainda no fim de novembro.
No documento, o senador apontou que o objetivo do depoimento do representante da Meta é a possível utilização sistemática do Facebook e do Instagram “como veículos para a disseminação de atividades criminosas e como fonte de financiamento para o crime organizado”.
Vieira citou reportagens que revelaram documentos internos da empresa indicando que a Meta obteve um faturamento de aproximadamente US$ 16 bilhões em 2024 proveniente da veiculação de anúncios de golpes e produtos proibidos, que representaria cerca de 10% da receita anual total da companhia. Ele quer apurar a natureza desses anúncios, “que expuseram milhões de usuários a golpes de comércio eletrônico, investimentos falsos, cassinos ilegais e venda de produtos médicos proibidos”.
Com a convocação, o relator visa obter informações sobre:
* O volume financeiro movimentado por anúncios fraudulentos e de atividades ilegais no território nacional;
* As medidas concretas (e não apenas algorítmicas) adotadas pela empresa para identificar e reportar às autoridades brasileiras os anunciantes que se enquadram em atividades típicas de crime organizado;
* Os dados que a empresa possui sobre a identidade desses anunciantes e as contas de destino dos valores arrecadados.

