Projeto apresentado em audiência pública prevê entrega em 2027 e busca eliminar um dos principais gargalos de mobilidade no distrito de Chaperó, na Região Metropolitana
Após décadas de reivindicações da população, o projeto do Viaduto de Chaperó, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, entrou na etapa que antecede o início das obras. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (22), durante audiência pública na Câmara Municipal, quando técnicos da concessionária MRS Logística detalharam o cronograma, os estudos que embasaram a intervenção e as mudanças previstas para a circulação de veículos e pedestres. A construção está programada para começar em agosto deste ano e ser concluída em julho de 2027.
A obra pretende eliminar o cruzamento em nível entre a linha férrea e a principal via de acesso ao distrito de Chaperó, onde o fechamento frequente da passagem para a circulação de trens provoca congestionamentos, aumenta o tempo de deslocamento e dificulta o atendimento de serviços de emergência. Para isso, será implantado um muro de vedação ao longo da faixa ferroviária, direcionando pedestres, ciclistas e veículos para a travessia segura por meio do viaduto, eliminando os cruzamentos em nível atualmente existentes.
Participaram da audiência o prefeito de Itaguaí, Haroldinho Jesus, o deputado federal Max Lemos, representantes da MRS Logística, vereadores, secretários municipais, técnicos responsáveis pelo projeto e moradores da região.
Além de apresentar o empreendimento, o encontro foi dedicado a esclarecer dúvidas da população sobre os impactos temporários das obras, o planejamento do trânsito durante a execução e as medidas previstas para reduzir os transtornos aos moradores.
Obra foi antecipada
Durante a audiência, o deputado federal Max Lemos afirmou que o viaduto integra o conjunto de investimentos previstos na renovação antecipada da concessão ferroviária da MRS junto ao governo federal. Segundo ele, a concessionária teria prazo de até oito anos para executar a intervenção, que acabou sendo antecipada após negociações com o município.
“A MRS poderia começar essa obra daqui a oito anos. O que está sendo feito aqui hoje é justamente o processo de negociação para antecipar esse investimento”, afirmou. “Parabéns ao prefeito Haroldo por ter quebrado esse isolamento e sentado à mesa para conversar e trazer esse investimento para Itaguaí”, declarou.
O prefeito Haroldinho Jesus afirmou que a antecipação da obra foi uma das primeiras demandas apresentadas à concessionária no início de sua gestão, em 2025.
“Quando assumimos a Prefeitura em 2025, uma das primeiras pautas que levamos à MRS foi justamente a necessidade de antecipar essa obra. O que estava previsto para acontecer apenas nos próximos anos foi antecipado, e agora estamos vendo esse projeto se transformar em realidade”, afirmou.
Estrutura foi dimensionada para crescimento da região
A equipe técnica da MRS apresentou imagens em três dimensões e explicou que o projeto foi elaborado a partir de estudos topográficos, geológicos, hidrológicos, de drenagem, tráfego e impacto urbano.
Segundo a concessionária, a estrutura foi dimensionada para suportar um fluxo de veículos quase três vezes superior ao registrado atualmente, considerando a expansão urbana e econômica do distrito.
A empresa informou ainda que os acessos ao bairro serão mantidos durante toda a execução da obra, com alterações pontuais na circulação sempre que necessário.
“O cronograma prevê a conclusão das etapas preparatórias até julho e o início das obras em agosto, com entrega prevista para julho de 2027”, explicou o engenheiro Felipe Souza, da MRS.
Estudos ambientais e plano de comunicação
Durante a apresentação, técnicos detalharam os estudos de tráfego, o licenciamento ambiental e o Estudo de Impacto de Vizinhança, utilizado para avaliar os efeitos da obra sobre a mobilidade, a infraestrutura urbana e a rotina da comunidade.
A analista de Meio Ambiente e Licenciamento da MRS, Juliana Santos, informou que foram identificadas cerca de 214 árvores na área diretamente afetada pelo empreendimento, sem registro de espécies ameaçadas de extinção. Segundo ela, estão previstos programas de compensação ambiental, monitoramento e mitigação dos impactos durante toda a execução da obra.
A concessionária também anunciou a criação de um canal permanente de comunicação com os moradores. De acordo com o analista Lucas Vale, equipes já realizam pesquisas e levantamentos sociais na região desde junho para acompanhar as demandas da comunidade ao longo da construção.
Mobilidade e atendimento a emergências
O comandante do Corpo de Bombeiros presente à audiência, tenente-coronel BM Scarani, destacou que a eliminação da passagem em nível deve reduzir o tempo de resposta em atendimentos de emergência, principalmente diante do crescimento populacional de Chaperó.
Moradores também relataram episódios em que ambulâncias e veículos de resgate ficaram retidos durante o fechamento da linha férrea, situação apontada como uma das principais justificativas para a construção do viaduto.
Expectativa entre moradores
Entre os participantes, predominou a expectativa de que a obra finalmente saia do papel.
Morador de Chaperó há 60 anos, Eliezer da Silva Dias afirmou que o viaduto representa uma reivindicação histórica da comunidade.
“Fiquei satisfeito em saber que o projeto finalmente vai sair do papel. Foi informado que as obras têm previsão de começar em agosto, e isso traz esperança para todos nós.”
Moradora do distrito há 41 anos, Ana Carolina da Silva destacou a informação de que os acessos ao bairro serão preservados durante a construção.
“O que mais me chamou atenção foi saber que a obra será realizada sem interromper o acesso dos moradores. Isso traz mais tranquilidade para toda a população.”
Primeira intervenção de um pacote de investimentos
Segundo a MRS, o Viaduto de Chaperó será o primeiro de um conjunto de obras previstas para Itaguaí dentro do programa de investimentos associado à renovação da concessão ferroviária. Também estão previstos viadutos nos bairros Amendoeira e Ary Parreiras, além de estudos para uma nova estrutura na Estrada Santa Rosa.

