Tutora de cão morto a tiros na Tijuca diz que crime foi premeditado | Rio de Janeiro

Tempo de leitura: 6 min
Cachorro Batata, de cinco anos, foi morto a tiros por um homem na Rua Sabóia Lima, na Tijuca - Divulgação




Cachorro Batata, de cinco anos, foi morto a tiros por um homem na Rua Sabóia Lima, na TijucaDivulgação

Rio – A tutora do cachorro Batata, morto a tiros por um homem no sábado (22), na Rua Sabóia Lima, na Tijuca, Zona Norte do Rio, acredita que o crime tenha sido premeditado. Com medo de sofrer represálias, a protetora de animais há 16 anos, que prefere não se identificar, contou ao DIA que, ao analisar as câmeras de segurança, observou o responsável pelos disparos parado em frente à casa dela, onde Batata estava solto no quintal. Ele permaneceu parado por alguns segundos antes de seguir com o passeio.
Ela acredita que o homem já estivesse esperando o cachorro pular o muro e ir em sua direção. “Eu acredito que tenha sido premeditado. Nas imagens, é possível ver que ele parou e ficou esperando o cachorro pular. Ele, por várias vezes, também coloca a mão na arma que estava na cintura. Depois do crime, sai andando tranquilamente”, afirma a tutora.

Em um novo vídeo ao qual o DIA teve acesso, é possível ver o homem passeando com um cachorro, às 15h46. Outros cães das casas da rua começam a latir e, segundos depois, Batata pula o muro e vai em direção ao homem, que faz quatro disparos. Dois deles atingem o animal, que morre na hora.

A tutora de Batata lembra que o cachorro e uma outra cadela não tinham o costume de ficar no quintal. Naquele dia, porém, ela saiu atrasada de casa e acabou esquecendo de trancar os bichos dentro da residência, onde conviviam com gatos.

“Meu cão não era agressivo. Eu resgatei ele quando tinha uns três meses de vida. Ele tinha cinco anos e era o meu cachorro favorito. Ele era louco por mim, e eu por ele”, lembra a moradora.

O crime aconteceu cerca de 20 minutos após a tutora deixar a casa. “Um vizinho me ligou e disse que um dos meus cachorros estava morto. Eu voltei imediatamente para casa e, quando cheguei, o Batata estava no chão, sem vida. Chamamos a Polícia Militar e depois fui à delegacia prestar depoimento. O que eu quero e espero agora é que a Justiça seja feita”, pede.

A mulher conta ainda que teme pela impunidade pelo fato de o homem ser supostamente um policial civil aposentado. “Ele vai alegar que o cachorro tentou atacá-lo, o que não foi bem assim. Se ele tivesse, talvez, batido com o pé na calçada ou colocado o cachorro dele no colo, não precisaria fazer disparos. Pelo que vi nas imagens, o cachorro dele é um pitbull e estava sem focinheira também”, observa a tutora, que nega que o homem já tivesse se queixado com ela sobre possíveis episódios de comportamento agressivo envolvendo Batata.

Morador se indigna com situação 

A reportagem também ouviu um dos primeiros moradores que encontrou Batata morto na rua. O rapaz, que também prefere não se identificar, contou que estava dentro de casa quando ouviu os disparos. Ao chegar ao local, o animal já estava sem vida. O morador diz que Batata era conhecido na região e criticou a reação do autor dos disparos.

“O problema é ele achar que a solução seria atirar. Uma vez, aconteceu a mesma situação comigo envolvendo o Batata. Na ocasião, eu bati com o pé na calçada e ele se afastou. Eu me coloco na situação porque eu também tenho um cachorro. Então, quer dizer que, se eu deixar ele sair sem querer e ele for para cima do cara que fez os disparos, ele vai atirar quatro vezes contra ele?”, indaga o morador.

Ele completa: “Toda vez que um cachorro correr em minha direção eu vou entender que o único jeito de parar o bicho é dando quatro tiros?”

Segundo a Polícia Militar, agentes do 6º BPM (Tijuca) foram acionados para uma ocorrência de maus-tratos a animais. Testemunhas relataram à equipe que o cachorro havia sido morto a tiros.

O autor dos disparos era aguardado para prestar depoimento na tarde desta segunda-feira (24), na 19ª DP (Tijuca), delegacia que investiga o caso.

Placa avisa sobre cães

A reportagem do DIA esteve na Rua Sabóia Lima nesta segunda-feira (24). Na calçada onde o caso ocorreu, marcas de sangue foram encontradas.

Do outro lado da via, onde ficaria a casa da tutora do cachorro Batata, há uma placa pendurada em uma árvore pedindo atenção sobre a presença de cães. “Favor, manter distância”, diz o aviso. Além disso, também existe um letreiro valorizando a vida animal. “Quanto mais conheço o ser humano, mais respeito os animais.”

 



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2026/08/7294711-tutora-de-cao-morto-a-tiros-na-tijuca-diz-que-crime-foi-premeditado.html

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *