A Polícia Civil do Rio concluiu a investigação e indiciou, nesta sexta-feira, a argentina Agostina Páez pelo ato de racismo praticado em Ipanema, Zona Sul do Rio, no último dia 14. O inquérito policial final da apuração foi remetido ao Ministério Público do Rio, que vai analisar se oferece denúncia à Justiça contra Agostina ou se requere o arquivamento do inquérito.
Turista argentina é acusada de gestos racistas em bar da zona Sul do Rio
A argentina de 29 anos, que é influenciadora e advogada, foi filmada imitando gestos de macaco, ato considerado racista, para um atendente do Barzin Ipanema, na Rua Vinícius de Moraes. O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais na semana passada e motivou a instauração de uma investigação policial. À polícia, ela declarou que não sabia que o gesto configurava crime no país e que se tratava de uma “brincadeira” direcionada às amigas.
Durante as investigações, seu passaporte foi apreendido. Na quarta-feira, a Justiça brasileira colocou uma tornozeleira eletrônica na turista, que está proibida de deixar o Brasil até o fim do processo sobre suas ações, medida que sua defesa classificou como “excessiva”.
Natural da província de Santiago del Estero, segundo o jornal argentino La Nacion, Agostina Páez é advogada e influenciadora digital. Ela possui milhares de seguidores em suas redes sociais, que atualmente estão privadas ou desativadas. Ela tem até 40 mil seguidores no Instagram e quase 80 mil no TikTok.
No entanto, seu nome ganhou notoriedade pública nos últimos meses na Argentina não apenas por sua presença nas redes sociais, mas também por um conflito legal ligado ao seu ambiente familiar: ela é filha de Mariano Páez, um empresário do ramo de transportes envolvido em casos de violência de gênero, segundo o site Info del Estero.
O empresário foi detido em 10 de novembro, acusado de agredir fisicamente e ameaçar sua ex-companheira, a advogada Estefanía Budan. Em 15 de dezembro, a Justiça ordenou sua libertação sob condições estritas, entre elas o uso de uma tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com a denunciante e regras de conduta cujo cumprimento é monitorado permanentemente. O processo judicial continua em fase de investigação.
Por sua vez, Agostina Páez apresentou uma queixa contra Estefanía, a quem acusou de assédio, difamação e violência digital, tanto a ela como em representação da sua irmã.
“Acabamos por ser também vítimas dela e, obviamente, das consequências dos atos do meu pai”, afirmou numa entrevista ao jornal El Liberal.
Segundo relatou na ocasião, as mensagens e publicações que motivaram sua ação judicial incluíam referências diretas à sua família. “A única coisa que pedi foi que ela não publicasse coisas com o nome da minha irmã, porque ela estuda”, afirmou. Ela também garantiu que Budan “dizia que meu pai batia na minha irmã” e que “falava da minha mãe falecida, dizendo que meu pai batia nela”.
A advogada esclareceu ainda que não testemunhou os episódios denunciados contra seu pai e ressaltou que sua ação judicial respondeu exclusivamente à sua situação pessoal. “Que culpa eu tenho pelo que meu pai faz? Eu não o defendo e que ele pague o que tiver que pagar”, disse ela.
(matéria em atualização)

