Silêncio estratégico mantém Bacellar como peça-chave na sucessão do Governo do Rio

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Sem conceder entrevistas, sem agenda pública e longe do debate eleitoral, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União) adotou uma postura de silêncio estratégico em meio às especulações sobre a sucessão do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O movimento ocorre justamente no momento em que cresce a possibilidade de uma eleição indireta para o Palácio Guanabara, caso o governador Cláudio Castro renuncie ao cargo para disputar o Senado em 2026.

Embora esteja afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Bacellar segue como um dos nomes centrais no tabuleiro político fluminense. Nos bastidores, parlamentares discutem a hipótese de que, ao retornar de licença do mandato em fevereiro, o deputado formalize a renúncia à presidência da Casa, permanecendo como deputado estadual. A medida abriria caminho para uma nova eleição interna para o comando do Legislativo.

A movimentação ganha relevância porque o presidente da Alerj ocupa, por regra constitucional, o primeiro lugar na linha sucessória do Executivo estadual. Caso Cláudio Castro deixe o cargo, caberia ao chefe do Legislativo assumir interinamente o governo e convocar, em até 30 dias, uma eleição indireta para escolha do novo governador.

Apesar disso, as regras do eventual pleito ainda geram dúvidas entre os próprios deputados. O deputado Luiz Paulo (PSD), autor do projeto de lei que regulamenta a sucessão indireta, avalia que podem ser criadas normas específicas para a eleição. Segundo ele, a questão pode acabar sendo judicializada. “O Supremo vai acabar tendo que decidir”, prevê o decano da Casa.

No cenário atual, PL e Federação União Progressista (UP), bases políticas tanto de Castro quanto de Bacellar, somariam cerca de 33 dos 70 votos da Alerj, de acordo com a colunista Berenice Seara, do Tempo Real. No campo governista, dois nomes despontam como possíveis candidatos: Nicola Miccione, secretário da Casa Civil e aposta direta de Cláudio Castro; e Douglas Ruas, secretário de Cidades e nome preferido do comando do PL.

Na oposição, o deputado André Ceciliano (PT) já articula apoios fora do bloco governista. Em Brasília, há quem avalie que um eventual “mandato-tampão” petista no Rio poderia fortalecer o palanque do presidente Lula no estado. O movimento, no entanto, é alvo de críticas do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que acusa Ceciliano de conspirar para viabilizar uma candidatura ao governo na eleição de outubro.

Diante desse cenário fragmentado, Rodrigo Bacellar segue como uma variável decisiva. Fora da presidência da Alerj, mas com influência e autoridade preservadas entre os parlamentares, o deputado mantém-se em posição estratégica, observando o jogo e “jogando parado” no centro do campo da sucessão estadual.

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Rodrigo Da Matta é formado em Jornalismo, Radialismo e Marketing, com especialização em Comunicação Governamental e Marketing Político pelo IDP. Atualmente, é graduando em Publicidade e Propaganda, Ciências Políticas e Gestão Pública.
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