O futuro de São Cristóvão esteve em pauta no seminário ‘Rio em Tempo Real: O Centro Expandido’, realizado recentemente pelo TEMPO REAL na Câmara dos Vereadores. Participei do painel “São Cristóvão: o futuro do Bairro Imperial” com uma convicção: a região vive um ponto de virada, e não podemos desperdiçá-lo.
São Cristóvão reúne o que tantos bairros buscam. Está colado ao Centro, um dos principais polos de empregos da cidade; é servido por metrô, trem e ônibus; e, em breve, poderá receber o VLT. Tem patrimônio e cultura, da Quinta da Boa Vista ao Bio Parque (antigo Zoológico); do Colégio Pedro II ao Cefet. Recorrendo a um conceito popularizado pela ex-prefeita parisiense Anne Hidalgo, nosso bairro imperial é uma cidade de 15 minutos em potencial.
O mercado já percebeu essas qualidades, e alguns dados da Ademi-RJ mostram isso. O Porto Maravilha, ampliado de 5 para 8,7 milhões de metros quadrados com a chegada a São Cristóvão, já ultrapassa, 13 mil unidades lançadas, cinco mil em fase de entrega. Só uma construtora lançou 20 empreendimentos ali e prepara, para 2026, o ‘Luzes do Rio’, com 1,7 mil unidades perto do Gentileza. A Prefeitura do Rio estima 45 mil novos moradores na região até 2029. É um movimento capaz de reerguer um bairro que sofreu por décadas com esvaziamento, abandono e falta de segurança.
Vale ressaltar que São Cristóvão atrai quem busca o primeiro imóvel ou aluguéis mais em conta. Já há unidades de dois quartos à venda, entre R$ 250 mil e R$ 300 mil. E, durante o seminário, o empresário Beny Chor (TGB Imóveis) projetou aluguéis em torno de R$ 2 mil mensais, incluindo condomínio, perfil que já aquece o mercado de compactos e pode devolver vida às ruas.
A forte valorização do Porto já consolidado tende a se repetir também no bairro. Mas adensar sem planejar é repetir erros conhecidos. Em 2022, produzimos aqui no mandato o relatório “Vazios Urbanos, Imóveis Públicos: São Cristóvão, Benfica e Vasco da Gama”, no qual mapeamos 234 imóveis públicos nesses bairros. Quase um quarto deles estava vazio ou subutilizado. É patrimônio parado que poderia virar moradia — inclusive de interesse social — e serviços para animar as calçadas. Aliás, o Plano Diretor já trata a área como ‘Supercentro’, prioritária para adensamento.
A filosofia é a certa: ocupar onde a infraestrutura já esteja pronta e só precisar ser melhorada. O poder público não pode ficar a reboque do mercado. Precisa dar destinação a esses imóveis, com instrumentos que já existam em lei, além de garantir a mobilidade que o crescimento vai exigir. O projeto do VLT, por exemplo, está pronto para receber financiamento do BNDES. Falta bater o martelo sobre o traçado interno. E são necessários ciclovias e bicicletários ligando São Cristóvão ao Centro e à Grande Tijuca, tanto que uma construtora chegou a oferecer bike elétrica a compradores de 1.700 unidades.
É claro que São Cristóvão ainda enfrenta muitos desafios. Mas não lhe faltam história, infraestrutura e, agora, investimento. O que não podem ficar de lado são planejamento e decisão. O Bairro Imperial merece e tem tudo para renascer.
*Pedro Duarte é vereador pelo PSD e presidente da Comissão de Assuntos urbanos da Câmara do Rio.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/sao-cristovao-tudo-renascer-crescer/

