O número de roubo de veículos disparou na região onde João Pires, titular da Secretaria de Proteção e Defesa do Consumidor (Sedecon) do município do Rio, foi perseguido e sofreu uma tentativa de abordagem por homens armados de fuzis, na noite desta segunda-feira, na divisa dos municípios de Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O crime ocorreu na na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), num trecho da área da 75ªDP(Rio D’ouro). A circunscrição da delegacia registrou, nos dois primeiros meses do ano, um aumento de 138,2% na incidência deste tipo de delito.
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- João Pires: secretário é perseguido por homens armados; Paes fala em atentado, polícia diz que é tentativa de roubo
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) só em janeiro e fevereiro de 2026, foram registrados 112 veículos roubados. No mesmo período de 2025, ocorreram 47 roubos deste tipo. Se levarmos em conta apenas os registros feitos em fevereiro de 2026, também é possível verificar uma elevação deste tipo de crime. Foram 57 veículos roubados no segundo mês deste ano, contra 28 do mesmo período do ano passado. A comparação mensal revela um aumento de 103% na incidência do referido delito. O policiamento ostensivo na área da 75ªDP é de responsabilidade da Polícia Militar.
Secretário bate com carro em posto de gasolina ao fugir de bandidos
Nesta terça-feira, em uma entrevista que durou seis minutos, o secretário João Pires diz ter sido alvo de uma perseguição por homens armados no limite entre as cidades de Niterói e São Gonçalo. O caso, tratado desde o início como tentativa de roubo, aconteceu na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), onde esse tipo de delito é comum. O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, a promotora Renata Bressan, coordenadora do Núcleo de Investigação Penal de São Gonçalo, e o promotor Antônio Carlos Pessanha, da 1ª Promotoria de Investigação Penal, estiveram na 75ªDP(Rio D’ouro),onde o caso foi inicialmente registrado.
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Eles disseram que a investigação foi transferida para Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, e Itaboraí. Os promotores também confirmaram que a policia está buscando imagens de câmeras de segurança que tenham flagrado a ação dos bandidos. Uma das gravações buscadas é de um equipamento de um posto de gasolina aonde o carro do secretário colidiu com uma bomba de combustível.
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Ainda durante a madrugada desta terça-feira, o prefeito Eduardo Paes (PSD) — que classifica o episódio como uma tentativa de atentado — aproveitou a notícia para provocar o governador Cláudio Castro (PL), com quem vem travando uma guerra de narrativas nos últimos dias, classificando o Estado como “sem lei e sem autoridade”.
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Em entrevista durante agenda no Centro de Operações e Resiliência (COR) nesta terça-feira, Paes explicou que João usa carro blindado, fornecido pelo município, após “reiteradas ameaças” por conta de sua atuação na fiscalização de postos de combustíveis. No dia anterior, o blog do jornalista Ancelmo Gois, do GLOBO, revelou que o secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, possível candidato no pleito deste ano, também recebeu três ameaças de morte ao longo deste mês.
Acompanhado por Paes e o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, a quem foi encontrar, o secretário concedeu uma entrevista de seis minutos no fim da manhã desta terça-feira, onde se disse “assustado” após o crime, mas fugiu do discurso de atentado.
— Espero eu que seja uma tentativa de assalto. Espero eu, minha família e todos que gostam de mim. Mas é um papel da Polícia Civil investigar esse caso triste para caramba — afirmou João, que confirmou ter sido alvo de ameaças que “chegam de maneira velada” e “simbólica”, pontuando que “não é o momento de rivalizar” com as forças de segurança.
A bordo de um Jeep Commander, sozinho e sem seguranças, o secretário, que tem 27 anos, trafegava pela RJ-106: morador da capital, seu destino era a cidade de Maricá, na Região Metropolitana, onde mora a sua noiva.
Durante o percurso, que faz com frequência, percebeu um carro emparelhando com o seu. Segundo informou à imprensa, João viu pelo menos dois fuzis no momento em que os criminosos abriram as portas do automóvel em que estavam: por estar em um automóvel blindado, ele optou por fugir e relata ter jogado o carro contra um posto de combustíveis, onde bateu em um furgão, em um outro carro e numa bomba de diesel, após ter avistado uma viatura da PM no sentido contrário. Em depoimento à polícia, o titular da Sedecon relatou ter sido vítima de quatro indivíduos armados, segundo a Polícia Civil.
— O carro não parava de me perseguir por dois quilômetros. Acho que não tinha dúvida de que o alvo era eu. Não era o único carro, era 21h, a pista estava movimentada. Agora, o que eles queriam fazer, só a Polícia Civil vai descobrir — completou João.
Durante a tarde desta terça-feira, a polícia informou que investiga se os suspeitos que abordaram o secretário municipal seriam os mesmos indivíduos responsáveis por assaltar outro motorista, na mesma rodovia, no sentido oposto, duas horas depois. O assalto aconteceu no quilômetro 5,5 da RJ-106, a 500 metros de distância do posto de gasolina em que João Pires bateu.
O motorista roubado relatou ter sido abordado por pelo menos três homens armados de fuzis, que levaram o carro e o celular. O aparelho foi rastreado e encontrado em um matagal por policiais.
As possíveis ameaças ao secretário fizeram com que a Polícia Civil, que registrou seu caso como tentativa de roubo, transferisse a investigação — inicialmente a cargo da 75ª DP (Rio do Ouro) — para a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), unidade que tem “equipe especializada para elucidar os crimes mais complexos”. Uma equipe do Ministério Público do Rio esteve na delegacia distrital na última tarde para acompanhar as apurações.
— A gente não pode permitir que isso aconteça. Isso aqui não é faroeste, isso aqui não é terra de bangue bangue. Vamos acompanhar a apuração — afirmou Paes, em nova alfinetada ao Estado. — O que a gente quer é a Polícia Civil, essa instituição que nós respeitamos tanto, de tantos homens e mulheres sérios, faça uma investigação diferente da que aconteceu na semana passada.
O episódio a que o prefeito se referia era a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), na quarta-feira passada. Na ocasião, Eduardo Paes — que está em seus últimos dias como prefeito, já que, na sexta, deve se desincompatibilizar do cargo para concorrer ao Palácio Guanabara — e Cláudio Castro, atual governador, que também deve concorrer em outubro, mas ao Senado Federal, travaram um embate.
Castro chegou a classificar Salvino como “braço” de uma facção na prefeitura. O parlamentar, ex-secretário municipal da Juventude, acabou solto após a Justiça entender que os indícios apontados pela Polícia Civil eram “precários”.
Na segunda-feira, o motivo da briga foi a implementação de uma linha de ônibus, operada pela prefeitura, que ligaria o Terminal Margaridas, em Irajá, a Mesquita, na Baixada Fluminense. O Detro-RJ ameaçou prender os representantes do município caso o serviço, considerado ilegal, seguisse circulando, após rebocar um dos coletivos. O caso foi resolvido após as “crianças” serem tiradas da “sala”, conforme definiu Paes nesta segunda: seu vice, Cavaliere, se reuniu com o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, com quem teve conversa sem “aquelas cenas ridículas contra a população”.
Procurada, a Polícia Militar informou que, além da atuação do Comando de Policiamento Rodoviário, equipes do 1º e do 7º Batalhões também atuam nos acessos e imediações da rodovia Amaral Peixoto. Segundo nota enviada pela PM, o 1º Batalhão (Venda da Cruz) foi criado recentemente para ampliar a presença policial e as ações ostensivas no município.
Vale ressaltar que, de acordo com os últimos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), num comparativo entre os dois primeiros meses de 2026 com 2025, houve queda de 23% no total dos roubos de rua no Município de São Gonçalo.
No mesmo período, foram presos 249 criminosos em flagrante no município, um montante 33% maior com relação ao ano passado.

