A corrida de rua já é tão carioca quanto mate na praia ou uma partida de futebol no Maracanã. E em 2025, essa vocação atingiu um novo patamar: o Rio de Janeiro sediou 209 provas, segundo a Secretaria Municipal de Esportes e Turismo. O recorde superou a previsão inicial de 190 eventos e fica bem à frente das 182 corridas realizadas em São Paulo no mesmo período (de acordo com a Secretaria Municipal de SP). Assim, com provas praticamente todo fim de semana, o Rio segue absoluto como a capital brasileira da corrida de rua.
Hoje, correr no Rio não é apenas um hábito saudável, virou parte da cultura local, movimentando não só a saúde e a integração social, mas também a economia da cidade.
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Por trás desses números, há um trabalho consistente de organização e incentivo. Guilherme Schleder, secretário municipal de Esportes e Turismo do Rio, credita o boom da corrida de rua à profissionalização dos organizadores, aliada ao apoio do poder público. “Montamos um calendário anual de corridas com a Riotur e o VisitRio que dá mais previsibilidade para o corredor se planejar com antecedência. Para quem vem de fora, isso vira passagem aérea e hotel mais baratos, e o turismo esportivo fica mais estratégico”, destaca Schleder.
Segundo ele, a Prefeitura chega junto com estrutura e apoio logístico que incluem limpeza e apoio da Guarda Municipal, por exemplo, além de isentar taxas, como a de publicidade quando entra patrocínio. É o tipo de bastidor que ninguém aplaude na linha de chegada, mas sem ele a corrida não acontece. “É um ambiente em que todos ganham: o corredor tem provas bem organizadas, o produtor conta com suporte e o patrocinador se associa a eventos de sucesso”, conta o secretário.
O mapa das corridas também se expandiu pela cidade, com provas em todas as regiões da cidade, além do eixo turístico da Zona Sul. A Zona Oeste tem puxado percursos inéditos na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes. Já a Zona Norte, historicamente menos atendida, viu surgir diversas corridas nos seus bairros, inserindo de vez essa parcela da cidade no circuito. Sem abandonar os cenários clássicos – caso do Aterro do Flamengo, que continua recebendo provas icônicas – o Rio agora vivencia a corrida de rua de ponta a ponta, o ano inteiro.
Em paralelo, o fortalecimento da base esportiva completa esse círculo virtuoso. “Também estamos investindo na base: hoje são quase mil núcleos esportivos e 28 vilas olímpicas espalhadas pela cidade”, pontua Schleder. Esses polos comunitários de esporte aproximam a população da prática e ajudam a revelar novos corredores, mantendo a cultura da corrida de rua viva nas comunidades.
O ápice do calendário carioca é a Maratona do Rio, que na última edição atraiu 85% dos inscritos na prova vindo de fora. Estima-se que a Maratona injete cerca de R$ 350 milhões na economia, configurando-a como o terceiro maior acontecimento turístico da cidade, atrás apenas do Carnaval e do Réveillon.
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De olho no cenário mundial, a Maratona do Rio passou por ajustes em 2025. O percurso foi reformulado, com largada no Recreio dos Bandeirantes e chegada no Centro, para atender às exigências técnicas das grandes provas internacionais. O objetivo é credenciar o evento a entrar no seleto circuito das Abbott World Marathon Majors, que reúne as maiores maratonas do planeta. Paralelamente, o Rio oficializou sua candidatura para sediar o Campeonato Mundial de Corrida de Rua de 2028, da World Athletics, reforçando o desejo de colocar a cidade no mapa dos principais eventos globais do esporte.
Essa aura carioca reforça as chances de sucesso nas pretensões globais. “Todo mundo quer correr no Rio”, reforça Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Para ele, a beleza única da cidade, entre a praia e a montanha, e a hospitalidade local fazem do Rio um destino dos sonhos para o mundo inteiro.
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Aliás, o calendário de 2026 já está disputadíssimo, com os fins de semana praticamente tomados. Para a cidade, sinal de maturidade. Para o corredor, o tipo de problema que a gente adora ter: escolher entre uma prova temática ou uma maratona para valer.
No fim, 2025 deixa um recado: o Rio não está só “cheio de provas”. Está cheio de gente ocupando as ruas com propósito. E quando uma cidade aprende a transformar isso em cultura, turismo e ambição internacional, não é mais sprint. É um projeto de longo prazo.

