O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) explique o destino de emendas parlamentares que resultaram na compra de alimentos de cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Paraná.
O caso chama atenção porque Lindbergh foi eleito pelo Rio de Janeiro, enquanto as cooperativas beneficiadas ficam no Paraná — estado que também é base política de sua namorada, a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR). Em 2025, R$ 1,7 milhão das emendas do deputado destinadas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foram empenhados para compras de três cooperativas paranaenses. No Rio, produtores receberam R$ 680 mil.
A diferença virou alvo de questionamentos no processo que trata da transparência e execução das emendas parlamentares. Na decisão, Dino deu prazo de 10 dias úteis para Lindbergh e a Câmara dos Deputados se manifestarem sobre os fatos. O prazo termina na próxima sexta-feira (21).
Os números também colocam o caso em destaque: de 50 parlamentares que destinaram emendas ao PAA em 2025 e tiveram recursos empenhados, apenas três tiveram verbas destinadas a cooperativas de fora de seus estados. E Lindbergh concentrou 93,2% dos R$ 2,7 milhões enviados para outros estados nesse grupo.
O deputado nega ter escolhido as cooperativas paranaenses. Segundo Lindbergh, a indicação da emenda foi feita para o PAA, mas cabe à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) selecionar e contratar os fornecedores. Ele afirma ainda que os alimentos comprados no Paraná foram distribuídos no Rio de Janeiro.
Em nota, Lindbergh classificou como “falsa” a afirmação de que teria enviado emendas diretamente ao MST do Paraná. Segundo ele, os recursos tinham como objetivo combater a insegurança alimentar e garantir alimentos para famílias vulneráveis em periferias e favelas do Rio. A Conab também sustenta que é responsável pela contratação dos fornecedores.
Agora, a explicação terá de chegar ao STF. A questão colocada no processo é justamente como foram executados os recursos e qual foi o papel do deputado na escolha dos beneficiários.
Segue a nota de Lindbergh na íntegra:
“É falsa a alegação de que Lindbergh teria enviado emendas para o MST do Paraná, base eleitoral de Gleisi. A emenda foi indicada para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com objetivo de atacar a insegurança alimentar e distribuir alimentos para famílias vulneráveis em periferias e favelas do Rio de Janeiro.
Todos os alimentos foram distribuídos no Rio de Janeiro. A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) foi a responsável por contratar os fornecedores de alimentos. Entre eles, estão cooperativas do Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, pois a agricultura familiar do Rio de Janeiro não produz quantidade suficiente de arroz e feijão, diferente de hortigranjeiros.
A CONAB contrata os fornecedores, a partir dos produtos e quantidades demandadas e do enquadramento nos critérios da agricultura familiar. As Cooperativas do Rio de Janeiro são: UNACOOP (União das Associações e Coopetativas do Pavilhão 30) e COOPARIO (Cooperativa dos Agricultores e Agricultoras de Rio Pardo).”
