A Prefeitura de Niterói inicia, no segundo semestre, a fase inicial do programa Vida Nova no Morro, que promete marcar um novo momento na transformação urbana e social da cidade. A proposta é ambiciosa: requalificar, de forma gradual, as 83 favelas do município até que sejam reconhecidas oficialmente como bairros.
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As primeiras intervenções acontecerão em seis comunidades: Vila Ipiranga, Boa Vista, Pau Ferro, Morro do Estado, Morro da Penha e Caniçal. A escolha foi feita com base em critérios técnicos definidos em conjunto com especialistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Diferente de iniciativas anteriores, como o Favela-Bairro, o novo programa amplia o alcance das ações. Além de obras em espaços públicos, o projeto também inclui melhorias dentro das residências, atuando tanto no “porta para fora” quanto no “porta para dentro”.
O objetivo é integrar essas áreas — atualmente classificadas como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) — à cidade formal, ampliando o acesso a serviços públicos e garantindo melhores condições de vida. A meta é contemplar todas as comunidades mapeadas pelo IBGE, com urbanização completa, infraestrutura adequada e redução de riscos ambientais.
Entre as ações previstas estão instalação de banheiros, reboco e pintura de casas, melhoria na ventilação e iluminação, além do combate à umidade e redução de riscos estruturais. O programa também contará com o “Arquiteto de Família”, que oferecerá suporte técnico para obras nas moradias e recuperação de áreas de encosta.
— O Vida Nova no Morro não vai só mudar a imagem das favelas para quem chega. Vai mudar a vida real de quem mora lá. Dignidade começa dentro de casa, e por isso estamos levando urbanização com olhar humano, técnico e transformador para todas as 83 favelas de Niterói — afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Serviços devem melhorar
A prefeitura destaca que o programa também terá impacto direto na qualidade de serviços essenciais, como saneamento, drenagem, mobilidade urbana, iluminação pública e segurança. A expectativa é melhorar o planejamento e a aplicação de recursos, tornando os territórios mais seguros e organizados.
O projeto conta com financiamento do BID no valor de US$ 117,1 milhões, além de contrapartida da prefeitura de cerca de US$ 29,3 milhões, totalizando aproximadamente US$ 146,4 milhões.
Nesta primeira etapa, 15 comunidades serão atendidas: 12 com recursos do banco, duas com investimento municipal e uma com financiamento federal. O prazo de execução é de até seis anos.
Além do investimento, o BID também participa com apoio técnico e acompanhamento especializado, com base em experiências internacionais.
O programa faz parte do planejamento estratégico “Niterói que queremos 2025-2050”, que busca reduzir desigualdades e promover uma cidade mais integrada.
A secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Marcele Sardinha, destacou o diferencial da iniciativa:
— Pela primeira vez, uma política pública de urbanização de favelas integra de forma sistemática a melhoria habitacional interna às grandes obras de infraestrutura urbana. Estamos enfrentando problemas como umidade, falta de ventilação e condições sanitárias precárias dentro das casas, ao mesmo tempo em que avançamos em drenagem, pavimentação e iluminação pública. É uma mudança importante na forma de tratar esses territórios — afirmou.

