Nos primeiros quatro meses de 2026, os cofres municipais receberam mais de R$ 230 milhões só com a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip). Enquanto nos anos anteriores a arrecadação mantinha um patamar de crescimento moderado, 2026 marca um ponto de ruptura: o salto de 30,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Em apenas 120 dias, a Prefeitura do Rio arrecadou quase o equivalente a 51% de tudo o que foi coletado no ano de 2024 inteiro (R$ 450,6 milhões).
A meta da administração municipal é agressiva: a previsão orçamentária para 2026 deu um salto de 106% em relação a 2025, de R$ 341 milhões para R$ 704 milhões.
Para o vereador Fernando Armelau (PL), que votou contra o aumento da contribuição e coordenou o levantamento — os dados são a prova de uma política fiscal arrecadadora.
“É um escárnio. A prefeitura projeta arrecadar mais de R$ 704 milhões este ano. Estão transformando um serviço essencial em um imposto disfarçado para inflar o caixa. Onde está o retorno desse valor em iluminação de qualidade para as áreas mais escuras e perigosas da cidade?”, questiona Armelau.
Diante dos números e da falta de clareza sobre o destino desse montante, o vereador protocolou um projeto de lei para obrigar a prefeitura a instituir a transparência ativa, com a publicidade segregada de todos os dados financeiros e operacionais da Cosip.
“Não podemos permitir que a contribuição continue sendo uma caixa-preta,que só serve para sustentar o apetite arrecadatório do município. O cidadão tem o direito de saber, centavo por centavo, onde esse dinheiro está sendo aplicado”, diz Armelau.
Recursos podem ser usados para outros fins que não apenas a manutenção da rede de iluminação pública
O aumento da Cosip foi proposto pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e aprovado em setembro de 2025 pela Câmara do Rio. Durante a votação do projeto, vereadores de oposição reclamaram por nunca ter ficado claro qual seria, exatamente, o aumento no bolso do consumidor.
Além de custear postes e lâmpadas, os recursos também podem ser usados na administração de sistemas de monitoramento urbano, como câmeras de segurança instaladas em vias públicas, praças e outros logradouros. A arrecadação fica destinada ao Fundo Especial de Iluminação Pública, vinculado à Secretaria Municipal de Infraestrutura.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/iluminacao-publica-rende-r4-230-milhoes/

