A Prefeitura do Rio criou o programa Reviver Cinema, iniciativa que pretende recuperar antigos cinemas de rua e transformar parte desses imóveis em novos espaços culturais. O projeto prevê investimentos públicos, parcerias com a iniciativa privada e a reabertura de salas que ficaram fechadas por décadas.
Uma das primeiras iniciativas será em Bangu, na Zona Oeste. O antigo Cine Matilde, inaugurado em 1963 com 1.360 lugares, está desativado desde os anos 1990. O imóvel será desapropriado e dará lugar a um equipamento cultural com cinema, teatro e outros espaços para atividades.
O novo espaço terá um teatro com capacidade para 250 pessoas, duas salas de cinema, área para exposições, espaço de convivência, bar e restaurante no rooftop.
Programa terá três etapas
O Reviver Cinema foi estruturado em três etapas. A primeira prevê a recuperação de equipamentos que já existem ou que podem ser reativados por meio de parcerias.
Entre os projetos está o Cinema Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Inaugurado em 2009, o espaço será reaberto neste mês após uma reforma de R$ 580 mil. A sala terá tela com resolução 4K.
Também está prevista a abertura de uma segunda sala no Cine Santa, instalado em um imóvel municipal, até o fim do ano. Já o Grupo Estação deverá reabrir, em novembro, a unidade onde iniciou suas atividades, na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo. O projeto recebe R$ 1,5 milhão em investimentos.
Parte da contrapartida desse investimento será destinada à distribuição de ingressos para professores e a ações de formação de público entre estudantes da rede pública.
Cinemas históricos entram na segunda fase
A segunda etapa inclui imóveis que estão em processo de desapropriação pela prefeitura. Entre eles estão o antigo Cine Vaz Lobo e o Cine Costinha, no Cachambi.
Os custos das reformas ainda estão sendo calculados. A previsão é que as obras comecem no próximo ano.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, a proposta não se limita à recuperação das salas de exibição. A intenção é transformar os imóveis em centros culturais com diferentes atividades.
Além do cinema, os espaços poderão receber teatro, exposições, atividades comunitárias e outras ações culturais, contribuindo para a retomada da movimentação nos bairros onde estão localizados.
RioFilme vai mapear outros antigos cinemas
A terceira etapa será conduzida pela RioFilme, empresa da prefeitura responsável pelo mapeamento de outros imóveis que já abrigaram cinemas e que podem ser desapropriados e convertidos em equipamentos multiúso.
O objetivo é identificar locais que possam receber projetos semelhantes aos previstos para Bangu, Vaz Lobo e Cachambi.
A proposta retoma a discussão sobre a preservação dos antigos cinemas de rua do Rio. Muitos desses espaços perderam público com a expansão dos complexos instalados em shopping centers e acabaram fechados ou abandonados.
No caso do Cine Vaz Lobo, o historiador e pesquisador André Pereira participa do Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória, grupo que acompanha a história do imóvel e já elaborou um projeto de restauração encaminhado à prefeitura.
Pereira destaca a importância histórica do prédio, que chegou a ter cerca de 2 mil lugares e foi considerado o principal cinema da região.
Antigo Cine Matilde será transformado
O Cine Matilde foi inaugurado em 15 de março de 1963, na galeria que leva o mesmo nome, na Avenida Ministro Ary Franco, em Bangu.
A sala tinha 1.360 poltronas estofadas, tela oval e sistema de refrigeração central. Nos primeiros anos, a estrutura elétrica da região não suportava a demanda do equipamento de refrigeração.
De acordo com Leonardo Gama, neto do fundador Antônio Gama da Silva, ventiladores e gelo eram utilizados para ajudar a reduzir a temperatura da sala até que fosse solicitada uma ampliação da carga elétrica.
Com o novo projeto, o imóvel deixará de ser uma antiga sala de cinema e passará a funcionar como equipamento cultural com múltiplas atividades.
