Os policiais cumprem mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos. A corporação também solicitou à Justiça o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, a operação integra a Operação Contenção, ofensiva do Governo do Estado voltada ao combate à expansão territorial da facção criminosa Comando Vermelho. A ação conta ainda com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
As investigações começaram após dirigentes de um clube social denunciarem que estavam sendo ameaçados para deixar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico. Conforme a apuração, as intimidações teriam partido da liderança da organização criminosa na região. Além da tentativa de assumir a gestão do local, os criminosos exigiam o pagamento mensal de R$ 6 mil para que o clube continuasse funcionando sem sofrer represálias.
Durante as diligências, os agentes identificaram indícios de um esquema semelhante em outro clube recreativo, apontado como principal alvo da operação. Segundo a investigação, pessoas de confiança da organização passaram a administrar informalmente o estabelecimento, controlando eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, foi identificado um núcleo familiar responsável pela gestão financeira paralela do clube. Os investigadores apontam que um dos alvos atuava como principal operador financeiro da organização, enquanto outra investigada administrava o espaço de forma paralela. Um terceiro suspeito, que exercia funções de gestão, movimentou cerca de R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, embora não possuísse atividade empresarial formal compatível.
As apurações também indicam que outro investigado realizou aproximadamente 40 transferências via PIX, que somaram R$ 240 mil. Segundo a corporação, ele responde a cerca de 20 procedimentos policiais, muitos deles relacionados a roubos de carga. Já uma quinta investigada movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões no período de seis meses, apesar de declarar renda mensal de cerca de R$ 3,2 mil como recepcionista. Ainda conforme a investigação, ela recebeu R$ 253 mil de um dos alvos em seis transferências.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) apontou movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, além de intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX.
Os policiais também identificaram a ligação do grupo com uma pousada em Armação dos Búzios que, segundo a investigação, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro do tráfico. O estabelecimento possui 16 quartos, cinco funcionários e diárias em torno de R$ 540 durante a alta temporada. Apesar da estrutura considerada de pequeno porte, teria movimentado cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses, além de registrar mais de 600 depósitos em espécie, que totalizaram aproximadamente R$ 955 mil.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que o grupo utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores obtidos com o tráfico de drogas na economia formal. Somadas, as movimentações financeiras identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e, de acordo com os investigadores, apresentam características típicas de lavagem de dinheiro.
