Por décadas, Queimados e Japeri cresceram sem esgotamento sanitário. Esse cenário começou a mudar com a entrada em operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Queimados, a primeira da região, inaugurada pela Águas do Rio no último dia 22. A nova unidade atende 270 mil moradores dessas cidades e de partes de Nova Iguaçu, reduzindo a exposição das famílias a esgoto não tratado e marcando um avanço para a saúde pública na Baixada Fluminense.
Com capacidade para tratar até 51 milhões de litros de esgoto por dia, a estação é uma das grandes entregas da concessionária do grupo Aegea no estado do Rio de Janeiro. Paralelamente à entrada em operação da unidade, a Águas do Rio avança na implantação de 700 quilômetros de redes coletoras, 13 quilômetros de coletores-tronco e mais de 60 estações de bombeamento em Queimados e Japeri, estruturas inéditas nesses municípios.
Juntas, essas obras formarão um sistema integrado de coleta e tratamento de esgoto, permitindo a conexão gradual dos imóveis à nova infraestrutura. A expectativa é universalizar os serviços de coleta e tratamento de esgoto na Baixada Fluminense até 2033.
Foco na saúde pública
O impacto mais imediato da nova estrutura, inclusive, deve ser percebido longe da estação de tratamento. Ao retirar o esgoto das ruas, valões e áreas de convivência, a rede em implantação reduz a exposição da população a doenças historicamente associadas à falta de saneamento, como diarreias, hepatite A e leptospirose.
Para Felipe Esteves, diretor-executivo da Águas do Rio, esse é o principal legado da iniciativa. “Sair do zero, em esgotamento sanitário, nesses municípios é um ganho imediato para a saúde coletiva. Ao estruturarmos esse sistema de coleta, oferecemos proteção para milhares de famílias de forma imediata e estabelecemos uma base sólida para alcançarmos a universalização do serviço de maneira planejada e definitiva”, afirma.
Proteção para o Guandu
Os efeitos da nova estação se estendem para além dos municípios atendidos, pois a ETE Queimados desempenha um papel estratégico na proteção da Bacia do Guandu, responsável pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao interceptar e tratar os efluentes antes que cheguem a rios da região, a estrutura reduz a carga de poluição lançada no sistema que alimenta o principal manancial fluminense.
A melhoria da qualidade da água tem reflexos diretos sobre atividades que dependem da recuperação ambiental dos rios da Baixada. Em Nova Iguaçu, a pescadora Priscila Amorim acompanhou de perto a redução da oferta de peixes ao longo dos anos. Segundo ela, a pesca artesanal já chegou a garantir a renda mensal da família, mas o avanço da poluição comprometeu a atividade e obrigou seu marido a buscar trabalho na construção civil, reduzindo significativamente a renda familiar.
“Nós tivemos muita perda na renda familiar com a falta de peixes fortes, como a tilápia, o robalo e o tucunaré. Com a água livre de esgoto, a reprodução aumenta e o pescado volta com mais qualidade para garantir o nosso arroz e feijão”, afirma.

Mobilização de recursos
A viabilização do projeto que beneficia três cidades e a bacia do Guandu demanda um investimento de R$ 640 milhões. O montante conta com o financiamento pelo programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A inauguração em Queimados integra o plano da Águas do Rio para ampliar a infraestrutura de saneamento no estado. Desde o início da concessão, em novembro de 2021, a empresa já investiu R$ 6,3 bilhões em obras e melhorias nos sistemas de água e esgoto dos 27 municípios onde atua. Os investimentos seguem as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê, até 2033, o acesso de 99% da população à água tratada e de 90% à coleta e ao tratamento de esgoto.

