MPRJ denuncia 13 por morte de ciclista espancado com 63 golpes em Copacabana

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 13 pessoas por envolvimento na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, espancado no início de agosto, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A acusação envolve suspeitos apontados como participantes diretos das agressões e pessoas investigadas por envolvimento indireto no caso.

O MPRJ também concordou com as conclusões da Polícia Civil e pediu a conversão em prisão preventiva das prisões de Davi dos Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Dias e Ailton José da Silva. Os quatro são acusados de homicídio triplamente qualificado e estão presos temporariamente.

Segundo as investigações, Davi e Jorge atuavam irregularmente como seguranças na região, enquanto Felipe e Ailton trabalhavam como entregadores de aplicativos.

Um quinto acusado de participar das agressões, Wellington Luiz Santos de Souza, continua foragido.

Morador da Rocinha, Wellington foi flagrado por câmeras dando chutes na cabeça de Cláudio Rafael. Testemunhas contaram à polícia que ele teria se aproximado dos entregadores e perguntado se a vítima era um “ladrão”. Na sequência, teria chutado o ciclista e dito: “Ladrão tem que morrer mesmo”.

Na época do crime, Wellington estava morando de favor em uma lavanderia na Avenida Prado Junior. O proprietário do estabelecimento afirmou que, depois de saber do episódio e reconhecer o homem nas imagens, determinou que ele não voltasse ao local.

As investigações sobre a morte também revelaram a existência de uma estrutura informal de segurança que atuava nas ruas de Copacabana.

Segundo a polícia, o serviço era coordenado por Aluísio da Silva Filho, que afirmou ser responsável pela contratação dos integrantes e pela organização das escalas.

Aluísio foi indiciado por exercício ilegal da profissão de segurança de rua. Davi, Jorge e Antônio Marcos Pires Sudre da Silva, que recebiam pagamentos de comerciantes para atuar na região, também foram enquadrados pelo mesmo crime.

De acordo com a investigação, não havia exigência de experiência profissional, cursos, habilitação ou consulta a antecedentes criminais para integrar o grupo. A estrutura funcionava sem razão social, CNPJ ou autorização administrativa.

Quatro comerciantes que pagavam pelo serviço de segurança também foram indiciados: Antônia Sandra Rodrigues Ferreira, proprietária da lanchonete Só Pra Ti; Antônio Gonçalves Santiago Neto, dono do Café Bar Nosso Cantinho e do Bar e Café Tropical; Lucilene Barros da Silva, proprietária da Farmácia Top Farma; e Antônio Ivan Alves Pereira, um dos sócios do Boteco Amarelim de Copa.

Nas defesas, os comerciantes afirmaram que a cobrança pela segurança já existia quando assumiram os estabelecimentos e que apenas mantiveram os pagamentos.

Eles também disseram que os seguranças não tinham autorização para abordar, perseguir, conter ou usar força contra suspeitos. Segundo os comerciantes, a função esperada era evitar que pedintes incomodassem os clientes.

Rayane de Souza Batista Silva, atendente do Café Bar Nosso Cantinho, foi indiciada por lesão corporal. Conforme a investigação, ela presenciou Davi agredindo Cláudio Rafael com um cassetete, chegou a retirar o objeto das mãos dele, mas depois o devolveu. O instrumento teria sido novamente utilizado durante as agressões.

João Cleber de Souza Santiago, filho do proprietário do estabelecimento, foi indiciado por omissão de socorro, com previsão de aumento da pena em razão da morte da vítima.

Segundo o inquérito, ele presenciou as agressões e tinha condições de perceber a gravidade do estado do ciclista, mas não acionou a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o Samu ou outro serviço de emergência.

Imagens analisadas pela investigação mostram uma sequência de violência que teria durado mais de seis minutos. Nesse período, Cláudio Rafael teria recebido 63 golpes com um pedaço de madeira.

Depois das agressões, o ciclista permaneceu gravemente ferido por aproximadamente 30 minutos na Rua Felipe de Oliveira, até ser localizado pelo Corpo de Bombeiros.

Cláudio Rafael foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, onde deu entrada entre 1h30 e 2h. A equipe médica realizou manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 40 minutos, mas ele não resistiu.

O laudo de necropsia apontou traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna. Também foram identificadas lesões no baço e no rim esquerdo provocadas por ação contundente.

Câmeras de segurança instaladas nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira registraram diferentes momentos das agressões e foram consideradas elementos centrais para a reconstrução do crime e a identificação dos envolvidos.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/mprj-denuncia-13-por-morte-de-ciclista-espancado-com-63-golpes-em-copacabana/

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