O Sindicato dos Trabalhadores Federais da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Rio Grande do Sul (SindisPrevRS) não tem dúvidas: o caos vivido pelos segurados do INSS neste fim de janeiro não é um acidente isolado, mas parte de uma rotina de instabilidade que já virou marca registrada da instituição. Enquanto o órgão insiste em se apresentar como defensor dos cidadãos, aposentados e pensionistas encontraram apenas portas trancadas e guardas repetindo a frase que virou bordão da incompetência: “Voltem na semana que vem”.
A paralisação, iniciada no dia 27 e estendida até 1º de fevereiro, deixou sem atendimento as agências, o aplicativo Meu INSS e até a Central 135. A justificativa oficial? Modernização dos sistemas da Dataprev. Na prática, mais um capítulo da novela das quedas e falhas que vêm se acumulando desde 2025.
O sindicato não compra a versão oficial
Para o SindisPrevRS, a queda dos sistemas em janeiro é apenas a ponta do iceberg. Entre janeiro e novembro de 2025, os requerimentos cresceram 23%, inflando ainda mais a pilha de processos e atrasos. A entidade denuncia que a atual administração mantém o INSS em estado permanente de colapso, prejudicando servidores e segurados. O resultado? Cada “modernização” anunciada pela Dataprev se transforma em pesadelo nacional.
O país das filas e da revolta
De norte a sul, o retrato é o mesmo: filas intermináveis, frustração e indignação. Em Dourados, Mato Grosso do Sul, aposentados esperaram em vão. Em Manaus, uma mãe viajou quatro horas de ônibus para reavaliar o benefício da filha com autismo e voltou para casa sem resposta. Em Porto Alegre, imagens mostraram agências lotadas e cidadãos sem qualquer informação clara. O resultado? Revolta generalizada e medo de perder benefícios essenciais.
Comunicação falha e promessas de mutirão
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, garantiu que os segurados foram avisados “pelos canais oficiais” desde 9 de janeiro. Só que as filas e a confusão mostraram que o aviso não chegou a quem realmente importa. Para tentar conter o estrago, Waller prometeu prioridade aos prejudicados e um mutirão de atendimento em 7 de fevereiro. A promessa soa como paliativo diante de um problema estrutural: sistemas que caem, comunicação que falha e cidadãos que ficam à deriva.
O retrato da ironia
Enquanto o INSS repete que não admite práticas que causem desconforto, o país assiste a idosos, mães e trabalhadores sendo empurrados para filas intermináveis e viagens inúteis. A “modernização” virou sinônimo de paralisação, e o discurso oficial, de sarcasmo involuntário. Afinal, se essa é a forma de “não prejudicar” os segurados, talvez seja melhor o instituto admitir que o desconforto já virou política pública.

