O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (dia 13) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, após meses de críticas à medida e de resistência em revelar seu posicionamento.
Em maio, o senador classificou a iniciativa como “inoportuna e eleitoreira”, apontou uma “grande carga de hipocrisia” na discussão e alertou para o risco de “desemprego em massa”. Já no segundo turno, na semana passada, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de oportunismo e afirmou ter uma proposta “infinitamente melhor” do que a discutida no Congresso Nacional. Agora, diante da possibilidade de aprovação da medida do governo no Senado, o candidato do PL mudou o tom.
A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso e proíbe a redução salarial. Flávio, por sua vez, vinha priorizando uma proposta apresentada pelo coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), que prevê maior flexibilidade nos horários e remuneração por hora trabalhada.
Veja o que Flávio disse sobre o fim da escala 6×1 ao longo da tramitação da proposta:
19 de maio — ‘Hipocrisia’ e ‘desemprego em massa’
Uma semana antes da aprovação da PEC pela Câmara dos Deputados, Flávio classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e acusou o governo de oferecer uma solução que poderia provocar desemprego e aumento do custo de vida.
— Todo mundo é a favor que se trabalhe menos e se ganhe mais. Só que, infelizmente, não é a realidade estar nesse projeto de lei apresentado pelo governo em ano eleitoral, com uma grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições. Ele tenta vender uma solução fácil para a população que não vai resolver, vai gerar desemprego em massa, vai gerar aumento do custo de vida e vai prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar, ao contrário do que muita gente pensa — afirmou.
Na mesma ocasião, defendeu que os trabalhadores pudessem definir seus horários conforme as próprias necessidades, com pagamento proporcional às horas trabalhadas.
— A remuneração por hora trabalhada traz liberdade, aumento da renda e proteção. Quem quer trabalhar mais ganha mais. Quem precisa de menos horas tem essa liberdade — afirmou em nota.
Ainda naquele mês, Flávio assinou a proposta alternativa de Marinho. Em 27 de maio, a Câmara aprovou a PEC em dois turnos, com o apoio da maioria dos deputados do próprio PL, e encaminhou o texto ao Senado.
29 e 30 de agosto — Defesa da jornada flexível
Com a PEC em análise no Senado, Flávio passou a ser questionado sobre como votaria. Durante uma agenda em São Paulo, em 29 de agosto, afirmou que sua alternativa seria mais vantajosa para os trabalhadores.
— Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar — disse.
No dia seguinte, em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, evitou esclarecer se apoiaria ou rejeitaria a PEC.
— O que a gente está defendendo? É a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho — afirmou.
1º de setembro — Recusa em revelar o voto
Na véspera do início da análise da PEC pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Flávio foi questionado repetidas vezes por jornalistas sobre seu posicionamento. O candidato insistiu que a prioridade deveria ser a proposta de Marinho.
— Primeiro vota a nossa proposta, depois vê o que faz. Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês — respondeu.
6 de outubro — Acusação de oportunismo contra Lula
Dois dias após o primeiro turno da eleição presidencial, quando a PEC já estava em discussão no plenário do Senado, Flávio acusou Lula de tentar obter dividendos eleitorais com a redução da jornada.
— Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento, achando que isso vai dar voto para ele. Eu tenho certeza de que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso — afirmou.
Na mesma ocasião, voltou a defender a flexibilização dos horários.
— Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária — disse.
7 de outubro — Críticas aos efeitos da redução da jornada
No dia seguinte, Flávio argumentou que a medida não resolveria, isoladamente, problemas como desemprego e endividamento. Também voltou a questionar as prioridades do governo.
— Ele está pensando no poder, não está pensando no trabalhador. Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento, para o trabalhador ficar com seu dinheiro — declarou.
13 de outubro — Anúncio do voto favorável
Na véspera da votação em primeiro turno no Senado, Flávio anunciou apoio à PEC após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
— A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor — afirmou.
Apesar da mudança de tom, o candidato manteve a defesa da jornada flexível e cobrou compensações do governo às empresas pelos custos adicionais da redução da carga horária. Até então, Flávio não havia anunciado voto contrário à PEC, mas também não tinha assumido compromisso com sua aprovação.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/10/hipocrisia-prejudicial-ao-trabalhador-e-solucao-facil-o-que-flavio-disse-sobre-fim-da-escala-6×1-antes-de-declarar-apoio-a-pec.ghtml
‘Hipocrisia’, ‘prejudicial ao trabalhador’ e ‘solução fácil’: o que Flávio disse sobre fim da escala 6×1 antes de declarar apoio à PEC
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