Fuzil apreendido no carro de Canella estava ligado ao seu segurança, um PM lotado na Corregedoria do Detran, com autorização do ex-secretário Marcelo de Menezes

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Investigações da Secretaria de Estado de Polícia Militar sobre a origem das armas apreendidas na 6ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal (PF) apontam que o fuzil da PM apreendido no carro do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) foi acautelada para uso de sua segurança pessoal, com autorização formal do secretário de Estado de Polícia Militar da época e atual pré-candidato a uma vaga na Alerj pelo PL, o coronel Marcelo Menezes.

Segundo a corporação, a arma foi registrada em nome do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, policial responsável pela escolta de Canella, e retirada do arsenal do Quartel-General da corporação, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro do Rio. O agente passou a ser lotado na Corregedoria do Detran, que, segundo a própria autarquia, não utiliza armas de calibre de uso restrito.

O Detran informou que o PM havia sido cedido ao órgão desde outubro de 2025, e que “não havia conhecimento do serviço que o policial exercia”. Em maio, quando o coronel da reserva da PM Carlos Eduardo Sarmento da Costa assumiu a presidência do Detran, nomeado pelo governador em exercício Ricardo Couto, o policial passou a trabalhar numa escala sob supervisão.

Em nota enviada ao Jornal “O Globo”, o Detran esclareceu que os agentes lotados na corregedoria trabalham em ações externas fiscalizando postos de vistoria e também na diretoria de desmontagem de ferros-velhos — funções nas quais, segundo a autarquia, não se faz necessário o porte de fuzil. O órgão confirmou, assim como a PM, que a arma é uma carabina Colt M4 calibre 5,56 e estava acautelada em nome do policial.

Saída do Detran chama a atenção

Recentemente, em 25 de junho de 2026, um processo administrativo havia sido aberto solicitando a devolução de Alexandre Paixão à Polícia Militar. Mas, a partir da 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada no início de julho, quando veio à tona a situação do policial e do fuzil, o servidor teve a exoneração requerida de imediato, no mesmo dia — 08 de julho. No dia seguinte, a exoneração de Paixão foi publicada no Diário Oficial e uma sindicância interna foi aberta para apurar como o agente trabalhava na gestão anterior, já que, segundo o Detran, nos dias de folga o órgão não exerce gerência sobre o servidor.

Liberdade com tornozeleira e recolhimento noturno

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu, no último dia 10, liberdade provisória a Márcio Canella. Ele foi preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil calibre 5,56 pertencente à Polícia Militar do Estado do Rio, dentro de um de seus carros.

Apesar de validar a legalidade das prisões em flagrante, o ministro entendeu ser possível substituir a prisão por medidas cautelares alternativas. Agora “em liberdade”, Canella deverá cumprir as seguintes condições: instalação imediata de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar obrigatório no período noturno e nos finais de semana; comparecimento semanal à Justiça e entrega dos passaportes; e a suspensão imediata de porte de armas.

O descumprimento de qualquer uma das regras resultará no retorno imediato dos investigados à prisão. O ministro fixou ainda o prazo de cinco dias para que a Polícia Militar do Rio de Janeiro preste esclarecimentos sobre a situação funcional dos envolvidos e a origem das armas.

A 6ª fase da Operação Unha e Carne, desencadeada pela PF, investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. A operação mira a movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de redes de combustíveis.

Com informações de Vera Araújo, do Jornal “O Globo”.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/fuzil-canella-pm-corregedoria-detran/

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