O Brasil chega às eleições deste domingo, 4 de outubro, com 158.745.463 pessoas aptas a votar e uma decisão que vai muito além da escolha do próximo presidente da República. Nas urnas, a população também definirá os governos dos estados e do Distrito Federal, toda a Câmara dos Deputados, as assembleias legislativas e dois terços do Senado. São escolhas que influenciam a elaboração das leis, a fiscalização dos governos e o destino dos recursos públicos.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado cresceu em aproximadamente 2,3 milhões de pessoas desde as eleições gerais de 2022, um avanço de 1,46%. As mulheres representam a maioria: são cerca de 83,9 milhões de eleitoras, equivalentes a 52,84% do total nacional. Os dados indicam, ainda, que 37,5 milhões de eleitores têm 60 anos ou mais — quase um em cada quatro inscritos.
A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Se nenhum candidato à Presidência ou a um governo estadual alcançar mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Votos brancos e nulos não entram nessa conta.
Seis escolhas para definir os rumos do país
Nesta eleição, cada eleitor fará seis escolhas na urna: deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente da República. Os candidatos a vice-presidente e a vice-governador integram as chapas e são eleitos junto com os titulares, sem uma votação separada.
Em todo o país, estarão em disputa:
- Uma chapa para presidente e vice-presidente da República;
- 27 chapas para governador e vice-governador, nos 26 estados e no Distrito Federal;
- 54 vagas no Senado;
- 513 cadeiras na Câmara dos Deputados;
- 1.035 cadeiras nas assembleias legislativas;
- 24 vagas na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Presidente, governadores e deputados terão mandatos de quatro anos. Para os senadores, o mandato é de oito anos. A dimensão do pleito também alcança os brasileiros inscritos para votar fora do país: são 918.876 eleitores no exterior, que participam exclusivamente da escolha de presidente e vice-presidente da República.
Dois terços do Senado estarão em disputa
Uma das principais características das eleições de 2026 é a escolha de 54 dos 81 integrantes do Senado, o equivalente a dois terços da Casa, ou aproximadamente 66,7% das cadeiras. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores. As outras 27 vagas pertencem aos parlamentares eleitos em 2022, cujos mandatos continuam.
A renovação do Senado alterna, a cada eleição geral, entre um terço e dois terços das vagas. Neste domingo, serão eleitos os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação, sem segundo turno. As duas escolhas têm o mesmo peso e devem ser destinadas a nomes diferentes: se o eleitor repetir o candidato, o segundo voto será considerado nulo.
Além de discutir leis e o orçamento federal junto com a Câmara, o Senado tem competências exclusivas, como aprovar indicações para o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades. Sua composição, portanto, influencia decisões que ultrapassam a duração de um mandato presidencial.
O voto também define quem fiscaliza os governos
Embora as disputas para presidente e governador concentrem boa parte da atenção, a escolha dos deputados também determina os rumos da administração pública. Os parlamentares discutem e aprovam leis, participam das decisões sobre o orçamento e fiscalizam os atos do Executivo.
Deputados federais, estaduais e distritais são eleitos pelo sistema proporcional. Nesse modelo, a distribuição das cadeiras considera os votos recebidos pelos partidos ou federações, incluindo os votos em seus candidatos e os destinados diretamente à legenda. Por isso, a escolha de um deputado também contribui para o tamanho da bancada de seu grupo político.
Rio tem o terceiro maior eleitorado do Brasil
No estado do Rio de Janeiro, 12.857.000 pessoas estão aptas a votar, segundo o TRE-RJ. O número corresponde a 8,10% do eleitorado brasileiro e coloca o estado como o terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás de São Paulo e Minas Gerais. Em relação a 2022, houve um acréscimo de 29.704 eleitores.
A capital concentra aproximadamente 4,95 milhões de eleitores. Na sequência aparecem São Gonçalo, com 653.494; Duque de Caxias, com 635.079; e Nova Iguaçu, com 615.377. Ao todo, 25 municípios fluminenses têm mais de 100 mil pessoas aptas a votar.
As mulheres também são maioria no estado: representam 54% do eleitorado, com cerca de 6,95 milhões de inscritas. Entre os fluminenses, 67.628 eleitores têm 16 ou 17 anos, e aproximadamente 1,84 milhão têm 70 anos ou mais.
Além de participar da escolha da Presidência, os eleitores do Rio definirão o governador e o vice, dois senadores, os 46 deputados federais da bancada fluminense e os 70 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Todas as 70 cadeiras da Alerj serão submetidas ao voto
Diferentemente do Senado, que tem renovação parcial, a Alerj terá todas as suas 70 vagas em disputa. Isso significa que a composição inteira da Assembleia dependerá do resultado das urnas, embora os atuais deputados possam concorrer à reeleição. A proporção de parlamentares que efetivamente serão substituídos só será conhecida depois da apuração.
Os deputados estaduais aprovam leis que tratam de assuntos do estado, analisam o orçamento e fiscalizam o uso do dinheiro público pelo governo. A escolha dos integrantes da Alerj tem relação direta com o acompanhamento de políticas e investimentos em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Organização antes de sair de casa
O TRE-RJ recomenda consultar antecipadamente o local de votação pelo site do tribunal ou pelo aplicativo e-Título. Para votar, é necessário apresentar um documento oficial com foto, inclusive quando a identificação será feita por biometria. O e-Título pode ser utilizado como documento de identificação quando exibir a fotografia do eleitor.
Também é recomendável levar uma colinha em papel, com os números anotados na ordem em que aparecem na urna:
- Deputado federal;
- Deputado estadual;
- Senador — primeira escolha;
- Senador — segunda escolha;
- Governador;
- Presidente da República.
No Rio, o transporte coletivo municipal e intermunicipal será gratuito no dia da votação. Segundo o TRE-RJ, a medida abrange ônibus, trens, metrô, barcas, BRT e VLT, facilitando o deslocamento dos eleitores até as seções.
Participação e liberdade de escolha
O voto é obrigatório para os brasileiros alfabetizados de 18 a 69 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e pessoas analfabetas. Em todos os casos, a participação pressupõe inscrição eleitoral e condições regulares para votar.
O voto é direto e secreto, uma garantia que protege a liberdade de escolha de cada cidadão. Na cabine, a decisão pertence ao eleitor, que não precisa revelar nem comprovar em quem votou.
Neste domingo, milhões de decisões individuais vão formar o resultado coletivo das urnas. Conhecer as propostas, observar a trajetória dos candidatos e dar atenção a todos os cargos são formas de exercer esse direito com consciência. A participação democrática continua depois da eleição, no acompanhamento dos mandatos e na cobrança dos compromissos assumidos com a população.
