Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Embrapa, vêm desenvolvendo um biodetergente capaz de aumentar a durabilidade de frutas e legumes, oferecendo uma alternativa sem o uso de agrotóxicos para a conservação de alimentos. 📲 Aperte aqui e siga o canal do Maricá Info no WhatsApp ✔
O produto atua como uma espécie de revestimento protetor aplicado diretamente na superfície dos alimentos.
“Eu vou fazer um revestimento em todo o fruto”, explica Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa. A substância impede a ação de fungos, principais responsáveis pela deterioração precoce.
De acordo com os pesquisadores, testes indicaram alta eficácia do produto. Em experimentos com laranjas, a maioria das frutas tratadas permaneceu intacta mesmo após exposição a agentes que aceleram o apodrecimento.
“Ele faz uma, como se fosse uma desarrumação na estrutura do fungo. Então ele não consegue se proliferar. A gente aumenta o tempo de prateleira desses produtos”, afirma Denise Maria Guimarães Freire, professora do Instituto de Química da UFRJ.
O desenvolvimento da tecnologia é resultado de mais de uma década de pesquisas. O ponto de partida foi um estudo iniciado em 2009, a partir de uma demanda da Petrobras.
“Com os avanços da tecnologia, a gente observou que existia um leque de possibilidades para a utilização do mesmo produto, produzido da mesma forma”, explica Douglas Braga, engenheiro ambiental.
A parceria com a Embrapa teve início em 2014, quando o projeto passou a focar na conservação de alimentos.
“A gente viu nesse edital uma oportunidade de desenvolver um produto biopesticida que não existe no mercado para aplicação em pós-colheita de frutas”, relata Otiniel Freitas.
O estudo já foi publicado em revista científica internacional e deve avançar para testes em escala maior, simulando condições industriais.
“Um teste num número maior de frutas, aplicado não com pincel, mas em uma esteira, que é o mecanismo industrial de aplicação, para a gente conseguir provar que o que funciona em laboratório também funciona em uma escala industrial”, destaca Elisa Cavalcante, também professora da UFRJ.
Além das laranjas, os pesquisadores avaliam a eficácia do biodetergente em outros alimentos, como morango, mamão, goiaba, feijão e soja.
O potencial da tecnologia está diretamente ligado à redução de perdas na cadeia de alimentos, que gera prejuízos bilionários todos os anos.
“Então você imagina o quanto não se economiza você tendo uma fruta que sai do pé e chega ao consumidor e fica lá na prateleira por muito mais tempo. Eu estimo, com o investimento do governo ou de empresas, que esse produto chegue ao mercado em 5 anos”, completa Denise Maria Guimarães Freire.

