Do melhor início do século a 44% na reta final: os números da queda de Zubeldía no Fluminense

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O fim do trabalho de Luis Zubeldía contrasta com o início que o colocou no topo de um levantamento histórico do Fluminense. Demitido nesta quinta-feira, dois dias depois do empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, o argentino encerrou um ciclo de 61 partidas da comissão técnica, com 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas, o equivalente a 59% de aproveitamento. A diretoria decidiu pela mudança depois de oito jogos sem vitória, período em que os resultados ruins passaram a ser acompanhados por atuações cada vez menos convincentes.

Contratado em setembro de 2025, Zubeldía estreou com uma vitória por 2 a 0 sobre o Botafogo e rapidamente reorganizou uma equipe que havia acabado de perder Renato Gaúcho. O Fluminense reagiu no Campeonato Brasileiro, terminou a competição na quarta colocação e garantiu vaga direta na Libertadores. A intensidade sem a bola, a defesa mais protegida e o crescimento como mandante transformaram o argentino, em poucos meses, em uma aposta de continuidade para 2026.

O auge estatístico apareceu quando Zubeldía completou 36 partidas. Naquele momento, o Fluminense acumulava 23 vitórias, seis empates e sete derrotas, com 53 gols marcados e 28 sofridos. Os 69,4% de aproveitamento representavam o melhor desempenho de um treinador tricolor neste século depois do mesmo número de jogos. Zubeldía aparecia à frente de Cuca, com 68,5%, Abel Braga, com 64,8%, e Fernando Diniz, com 62,9%.

A força em casa era o principal símbolo daquele início. O Fluminense chegou a 20 partidas invicto como mandante, com 18 vitórias e dois empates. Dentro dessa sequência, emendou 16 triunfos oficiais consecutivos como mandante, igualando uma marca que resistia havia 84 anos. Foram 31 gols marcados e apenas cinco sofridos durante a série, iniciada justamente na estreia de Zubeldía. Cinco das vitórias foram em clássicos: duas sobre o Flamengo, duas diante do Botafogo e uma contra o Vasco.

O recorte seguinte explica a demissão. Nas 25 partidas posteriores à marca dos 36 jogos, o Fluminense conseguiu apenas sete vitórias, empatou 12 vezes e perdeu seis. Foram 33 pontos conquistados em 75 possíveis, ou 44% de aproveitamento, uma queda de mais de 25 pontos percentuais em relação ao início do trabalho. A equipe passou a controlar a bola sem transformar a posse em chances, perdeu agressividade e começou a depender de jogadas individuais para desequilibrar partidas fechadas.

As frustrações nos confrontos decisivos também pesaram. O quarto lugar no Brasileiro de 2025 acabou sendo o melhor resultado do argentino, que caiu duas vezes para o Vasco na Copa do Brasil e ficou com o vice do Campeonato Carioca diante do Flamengo. Em 2026, o Fluminense ainda passou em segundo lugar num grupo acessível da Libertadores e precisou de uma combinação de resultados na última rodada. Depois da Copa do Mundo, foram seis empates e uma derrota. O 0 a 0 com o Rivadavia, no Maracanã, deixou a classificação para as quartas ameaçada e encerrou o trabalho.

Há uma diferença entre as bases usadas para contabilizar a passagem. O levantamento do ciclo completo registra 61 jogos da comissão técnica. Já a conta das partidas com Zubeldía efetivamente à beira do campo aponta 55 apresentações, com 27 vitórias, 16 empates e 12 derrotas, o equivalente a 58,8%. O argentino esteve ausente em alguns compromissos, inclusive durante as duas semanas de recuperação de uma angioplastia realizada em janeiro. Pelo critério mais amplo ou pelo mais restrito, entretanto, a fotografia é semelhante: um trabalho de início histórico que perdeu rendimento, soluções e resultados até se tornar insustentável.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/esporte/fluminense/noticia/2026/08/do-melhor-inicio-do-seculo-a-44percent-na-reta-final-os-numeros-da-queda-de-zubeldia-no-fluminense.ghtml

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