Roubo de celular no Ceará revela esquema multimilionário de tráfico | Rio de Janeiro

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Laércio Isidoro do Nascimento Júnior foi preso em Maceió (AL) na última segunda-feira (21) - Reprodução / TV Globo




Laércio Isidoro do Nascimento Júnior foi preso em Maceió (AL) na última segunda-feira (21)Reprodução / TV Globo

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) descobriram uma rede de tráfico ligada ao Comando Vermelho depois que um celular foi roubado em um sinal de trânsito em Fortaleza, no Ceará. De acordo com as investigações, reveladas pelo “Fantástico”, da TV Globo, o aparelho pertencia a Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, um dos principais fornecedores de drogas da facção criminosa.

Conhecido no meio criminoso como “Boss” ou “Gordão”, Laércio possuía diferentes celulares, um para cada função, como forma de não deixar rastros relacionados aos negócios e para preservar sua identidade.

No entanto, tudo começou a ruir quando ele foi assaltado e começou a usar seu celular pessoal para tratar das atividades criminosas. Porém, o aparelho era o único que mantinha arquivos salvos na nuvem, deixando rastros que permitiram com que a polícia chegasse até o traficante.

Segundo a polícia, Laércio usou o número pessoal para pedir ajuda a traficantes do Ceará para recuperar o telefone e continuou a tratar sobre as encomendas de drogas. Em um dos áudios ele demonstra preocupação quando percebeu que o telefone do motorista que fazia o transporte das substâncias estava no celular roubado.

“O número do freteiro está lá. Eu tô desesperado, truta. Eu investi uns três milhões e meio. Já liguei para o Bin Laden, o Avião, os caras daqui do Ceará. Os caras já colocaram em todos os grupos da facção”, disse Laércio.

Em outro áudio, o criminoso deixa claro a influência e a grandiosidade do esquema comandado por ele: “Todas as favelas, todos os chefes de facção. Aqui eu abasteço geral, então eu conheço muita gente aqui”.

‘Fornecedor dos fornecedores’

De acordo com a polícia, Laércio era uma espécie de fornecedor emergencial para os traficantes.

“Ele era um fornecedor de fornecedores. Quando os fornecedores de drogas das facções do Rio e São Paulo tinham algum problema logístico, recorriam a ele para suprir aquela demanda naquele momento”, explicou o secretário da Polícia Civil do Rio, delegado Delmir Gouveia, ao “Fantástico”.

Ainda não se sabe ao certo a quantidade de drogas e o valor envolvido nas atividades de Laércio, mas, segundo Gouveia, ele foi responsável por pela movimentação de cerca de R$ 70 milhões no período analisado pela investigação.

Uma apreensão em São Paulo, em fevereiro de 2024, deu uma dimensão do volume do negócio. Na época, a polícia paulista investigava um galpão em Guarulhos quando encontrou cocaína e maconha escondidas em compartimentos nos tanques de combustível de um caminhão. Ao todo, os agentes apreenderam mais de 715 kg de drogas.

Meses mais tarde, quando investigadores do Rio identificaram Laércio como “Boss” e cruzaram informações apuradas nas investigações com os dados da apreensão em Guarulhos, foi concluído que o criminoso era o responsável pela carga de drogas.

‘Deus está no negócio’

Em outra conversa identificada na investigação, Laércio falava com um pastor, que não teve a identidade revelada, sobre uma espécie de livramento divino que teria acontecido com ele depois que um de seus carregamentos foi apreendido pela polícia e o motorista preso.

“Você lembra daquela revelação? Que tinha pessoas armando, tinha pessoas tramando?”, perguntou Laércio. “A pregação foi falando que estavam armando uma cilada, conspiração, tudo para tentar destruir, só que Deus estava quebrando tudo”, respondeu o pastor.

Os dois continuam a conversa até que Laércio afirmou que a perda do carregamento, avaliado em R$ 1 milhão, teria sido “barato” para ele.

“Meu motorista foi preso. Meu frete caiu. R$ 1 milhão para mim saiu barato”, disse Laércio. “Isso não é nada. Isso é só para você saber que Deus está no negócio mesmo, tem que ter um sinal”, afirmou o pastor.

‘Boss’ é preso em Maceió (AL)

Na última segunda-feira (21), Laércio foi preso em uma cobertura de luxo em Maceió, em Alagoas, durante uma operação conjunta do MPRJ e das Polícias Civis do Rio, São Paulo e Alagoas, que cumpriu mandados em quatro estados. Além dele, outras 14 pessoas, incluindo dois policiais militares, também foram denunciadas.

No apartamento de Laércio, os agentes encontraram uma mala com cerca de R$ 100 mil, além de roupas, acessórios e tênis de grifes. De acordo com as investigações, o criminoso mantinha imóveis de alto padrão também no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Agentes envolvidos no esquema

Segundo as investigações, dois policiais militares são apontados como integrantes do esquema criminoso. Eles seriam responsáveis pela segurança das drogas durante o transporte e pelo recolhimento do dinheiro.

Um deles, inclusive, chegou a reclamar sobre o volume de trabalho em uma das conversas encontradas. “Eu sou o que mais trabalha nesse bagulho, mano. O que mais gosta de trabalhar, o que mais gosta de ganhar dinheiro. Eu sou comandado. Não sou comandante, não, amigo”, disse.

A participação de um policial civil também é investigada. Ele foi abordado em um pequeno aeroporto no interior do Amazonas, em São Paulo de Olivença, próximo à fronteira com o Peru e a Colômbia, em um avião particular fretado por cinco dias, em uma viagem que custou R$ 128 mil e foi paga através do Pix pelo pai dele. No entanto, nenhum dos dois tinha renda compatível com o valor.

Nenhuma droga foi encontrada com o agente, mas o número dele estava salvo no celular de Laércio. Ao “Fantástico”, o corregedor-geral da Polícia Civil do Rio, Alexandre Capote, disse que o policial permaneceu em silêncio quando chamado para prestar esclarecimentos.

“Conseguimos levantar que uma das empresas desse policial tinha um papel fundamental nessa dissimulação dos valores provenientes do tráfico de drogas”, afirmou Capote.



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2026/09/7306604-roubo-de-celular-no-ceara-revela-esquema-multimilionario-de-trafico.html

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