Distribuidora de combustíveis investigada por ligação com o PCC tem contrato de R$ 168,8 milhões para abastecer as viaturas da PM do Rio

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Alvo de buscas na Operação Carbono Oculto, que investiga a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), a Rede Sol Fuel Distribuidora mantém um contrato de R$ 168,8 milhões com o governo do estado para abastecimento da frota da Polícia Militar do Rio.

Quase 1 ano após a operação, deflagrada em agosto de 2025, a PM afirmou, em relação ao motivo de a corporação ainda manter contrato com uma empresa investigada por ligação com o crime organizado, que o contrato é legal, mas que irá fazer uma nova licitação para o abastecimento das viaturas.

O contrato de R$ 168 milhões com a distribuidora foi assinado em março do ano passado, na gestão do então secretário Marcelo de Menezes Nogueira, e é válida até 2027. No começo deste ano, Menezes deixou o posto para se candidatar a deputado estadual.

Contrato milionário com o governo do estado

Pelo contrato, a empresa deve fornecer 32 milhões de litros de gasolina e mais de 4 milhões de litros de diesel S10, totalizando quase 37 milhões de litros de combustíveis para os postos internos da corporação.

A gasolina representa R$ 147,8 milhões, enquanto o diesel responde por R$ 20,9 milhões.

O contrato não especifica quantos veículos ou viaturas serão abastecidos. Atualmente, a corporação possui cerca de 5 mil veículos.

Segundo o edital, o objeto prevê o fornecimento de combustíveis para toda a frota atendida pelos 70 postos internos da PM, nos batalhões, com sistema de gerenciamento e controle de abastecimento sem intervenção humana.

Contrato foi assinado durante a gestão de Cláudio Castro

Assinado ainda na gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), o acordo passou por pelo menos 3 alterações para incluir novas fontes de recursos orçamentários. Em julho de 2025, foram acrescentados R$ 456 mil provenientes de um convênio entre a PM e a Prefeitura de Barra do Piraí.

Já em outubro de 2025, outra alteração incluiu R$ 8,49 milhões de taxas destinadas ao Fundo Especial da PM. E em novembro de 2025, uma terceira alteração acrescentou R$ 1,77 milhão em recursos do próprio Fundo.

A Secretaria de Polícia Militar também firmou um termo aditivo com a Rede Sol para prorrogar o prazo de instalação de equipamentos fornecidos em comodato e remanejar dois tanques de combustível entre batalhões.

O contrato também prevê a possibilidade de prorrogação sucessiva, podendo alcançar até 10 anos de duração.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a distribuidora de combustíveis é uma das empresas cujas notas comerciais foram adquiridas pelo Mabruk II Fundo de Investimento, no valor de R$ 30 milhões. O fundo é um dos 40 investigados pela Receita Federal como financiadores das aquisições do PCC no mercado de combustíveis.

Prefeitura do Rio rescindiu contrato com a distribuidora

No começo deste ano, a Prefeitura do Rio suspendeu a contratação da empresa Rede Sol, uma das vencedoras da licitação para fornecimento de diesel aos mais de 700 ônibus articulados da estatal Mobi-Rio, até a conclusão das investigações da Operação Carbono Oculto.

A empresa Vibra Energia foi declarada vencedora, mas a Rede Sol poderia ser acionada como fornecedora em caso de problemas da primeira colocada para prestar o serviço.

O resultado do pregão eletrônico habilitou a Rede Sol na condição de “empresa redundante”, capacitada para fornecer o equivalente a R$ 68,2 milhões em combustível. Mas pela lei das licitações, a distribuidora só atenderia à Mobi-Rio caso ocorresse alguma falha no abastecimento de combustível pela Vibra Energia ou um aumento imprevisto de demanda.

Castro passou a responsabilidade ao ex-secretário

Em nota enviada ao G1, o ex-governador Cláudio Castro afirmou que a responsabilidade pelo pregão cabe ao coronel Marcelo Menezes e que não iria comentar o caso.

Por sua vez, o ex-secretário da Polícia Militar afirmou que o contrato foi firmado por meio de pregão eletrônico, o que permitiu a participação de outras empresas. Ele ressaltou que a Rede Sol tinha a documentação em dia.

O ex-secretário acrescentou que a empresa Rede Sol fornece combustível para diversos órgãos públicos, como a Presidência da República, o Exército e a Marinha, e declarou que está “tranquilo”, destacando que “não poderia estabelecer uma pré-condenação”.

Já a PM afirmou que a contratação é legal e informou que a empresa cumpriu todas as exigências previstas no edital e na legislação, acrescentando ainda que a contratação ocorreu antes da divulgação de informações sobre investigações envolvendo a empresa e, à época, não havia elementos que impedissem a formalização do acordo.

Mas, para não pôr em risco à continuidade do serviço, a corporação tem em curso uma nova licitação para garantir o abastecimento dos veículos da corporação.

Com informações do G1.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/distribuidora-combustiveis-contrato-pm/

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